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Menina de 4 anos morre após ser picada por escorpião

Yasmin Lemos Campos foi picada quando brincava no quintal de casa; ela morava em Cabrália Paulista, interior de SP

Rene Moreira, especial para o Estado

11 Julho 2018 | 14h42
Atualizado 11 Julho 2018 | 18h57

FRANCA - Foi sepultado na manhã desta quarta-feira, 11, o corpo de Yasmin Lemos de Campos, de 4 anos, vítima de um escorpião em Cabrália Paulista. Ela foi picada quando brincava no quintal, por volta das 11h de terça-feira, sendo socorrida até o posto de saúde. Como o local não tem soro, começou uma peregrinação por atendimento.

De lá, a menina foi transferida para o hospital de Duartina, município a 10 quilômetros de distância. O estabelecimento, porém, também não tinha soro para prestar o atendimento adequado.

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Yasmin teve então de esperar uma ambulância de sua cidade para ser mandada para Bauru, a 50 quilômetros. Com a burocracia, o soro antiescorpiônico foi ministrado às 14h10 na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Bela Vista, em Bauru, mais de três horas depois da picada.

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A criança não resistiu e acabou morrendo. "Foi tudo muito demorado. Eles ligaram para Cabrália mandar uma ambulância. Isso não está certo", disse Letícia Lemos, mãe da criança.

O prefeito de Cabrália, Zequinha Madrigal (PTB), falou que o envio da ambulância foi rápido, mas que a vizinha cidade deveria ter providenciado o transporte. Isso não ocorreu devido a um acordo entre os municípios, que prevê o fornecimento da ambulância conforme a origem do paciente.

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A direção do hospital de Duartina alega ter seguido este protocolo, enquanto que a prefeitura local informa que nesse caso a regra poderia ser quebrada. Para apurar o que aconteceu e as eventuais responsabilidades foi aberto inquérito na Polícia Civil. "Vamos levantar todo o atendimento, desde o início, para apurar se houve falhas", disse o delegado Paulo Calil.

Mortes

Com o período de estiagem outras crianças já perderam a vida este ano vítimas de escorpiões no Estado. Em Sumaré, um menino morreu no último sábado, 7, seis dias após ser picado pelo bicho ao calçar um tênis.

Em abril deste ano outro garoto, este de 6 anos, também foi vítima do bicho peçonhento, mas em Barra Bonita. E sem soro na cidade, teve de ser mandado para o hospital de Jaú, onde acabou falecendo.

Doses

A Secretaria de Saúde de São Paulo informou que em 2018 já foram registrados 11,5 mil casos de ataques de escorpião no Estado e que apenas redistribui o soroantiescorpiônico, sendo a aquisição e a distribuição de responsabilidade do Ministério da Saúde. Esclareceu também que "o envio de ampolas a São Paulo  continua ocorrendo de forma irregular" e que a necessidade é de 650 ampolas por mês, mas em julho por exemplo o Estado recebeu apenas 126 ampolas.

Já o Ministério da Saúde dá outros números e diz que em julho São Paulo recebeu 350 doses e que os Estados "são responsáveis por fazer a distribuição", podendo remanejar "de uma cidade para outra". Informou ainda que o soro é enviado "de acordo com a demanda de cada estado, conforme análise realizada pela Coordenação-Geral de Doenças Transmissíveis".

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