Menina de 8 anos é violentada e está em coma em Maceió

Pai é o principal suspeito, mas nega as agressões físicas e sexuais à própria filha e diz que ela caiu

Ricardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

06 de março de 2009 | 11h32

Uma menina de 8 anos que teria sido estuprada e espancada pelo pai continua internada, em estado gravíssimo, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió. A internação ocorreu no início da semana, mas a suspeita de estupro só foi confirmada nesta sexta-feira, 6, pela Delegacia de Crimes Contra a Criança e o Adolescente, que investiga o caso.

 

A menina respira com a ajuda de aparelhos. De acordo com a equipe médica, ela teria fraturado o fêmur e quatro costelas, além de apresentar sinais de abuso sexual e de traumatismo craniano. Devido ao trauma, a menina teve hemorragia cerebral e passou por uma avaliação do neurocirurgião da unidade de saúde.

 

O pedreiro Luís Correia da Silva, pai da menina, prestou depoimento à polícia, mas foi liberado por falta de provas. Ele é apontado como o principal suspeito das agressões, mas negou ter praticado qualquer tipo de violência contra a filha, em depoimento à Delegacia de Crimes Contra a Criança e o Adolescente (DCCA).

 

Queda e desmaio

 

Luís Correia contou que levou a menina ao hospital depois que ela sofreu uma queda da própria altura e desmaiou, dentro de casa. Ao chegar à unidade de saúde, a polícia suspeitou que o pai da vítima tivesse algum envolvimento no acidente, devido à gravidade dos ferimentos, incomuns para uma queda da própria altura.

 

Os policiais tentaram colher informações junto à vítima, mas como a menina não pode falar, as investigações se concentram em busca de testemunhas que confirmem a autoria das agressões. No entanto, na porta do hospital, familiares da vítima exigiam justiça e apontavam o pai da menina como o autor das agressões.

 

Além dos graves ferimentos, familiares confirmaram que a menina apresenta sinais de abuso sexual. No entanto, de acordo com a polícia, este fato só poderá ser comprovado após uma avaliação de médicos legistas quando a vítima receber alta. Caso seja comprovado o abuso, Luis Correia poderá ser preso.

 

Exame de DNA

 

Na noite em que a menina foi levada ao hospital, Luís Correia chegou a ser detido, mas foi liberado em seguida por falta de provas. Ainda de acordo com a família, ele não apareceu a para visitar a filha no hospital e se recusa a fazer o exame de DNA, que comprovaria ou não as suspeitas de abuso sexual.

 

Os pais da menina estão separados há cerca de 5 anos. Após a separação, a menina ficou sob os cuidados da bisavó materna, na cidade de Murici, a 59 km da capital alagoana. Há pouco mais de 6 meses, a menina passou a morar com o pai e a madrasta, identificada apenas como Priscila, que tem cinco filhos. A mudança, segundo a família materna da vítima, teve o apoio e aprovação do Conselho Tutelar de Murici.

 

Josefa Feitosa, tia da menina, disse que a criança está em coma e não esboça nenhuma reação. Ela conta que foi a primeira pessoa da família a receber a informação do ocorrido. "O Luís me ligou à noite dizendo que ela tinha levado uma queda e que estava conduzindo a menina para o hospital. No dia seguinte fui visitá-la e vi que o caso era mais grave do que eu pensava", afirmou Josefa.

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