Menina de 9 anos é encontrada morta a 100 metros de UPP, na Rocinha

Garota estava desaparecida desde sábado; corpo tem sinais de estrangulamento e estupro

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo,

29 Setembro 2013 | 19h50

Rio - O corpo de uma menina de 9 anos foi encontrado a 100 metros da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha, zona sul do Rio, na manhã desse domingo, 29. Rebeca Miranda Carvalho dos Santos desapareceu na noite de sábado, 28, quando participava de uma festa na favela. Seu corpo foi encontrado às 6 horas com sinais de estrangulamento e estupro – a menina estava com a roupa íntima abaixada.

Rebeca participava de uma festa num beco e brincava com outras crianças em frente ao local do evento. Às 21h30, ela levou um pedaço de bolo para sua mãe, Maria Miranda de Mesquita, de 43 anos, e voltou para pegar o brinde-surpresa que era distribuído. Depois disso, não foi mais vista. Meia hora mais tarde, quando Maria foi procurar pela filha, já não a encontrou.

Vizinhos e amigos da mãe e da menina começaram a procurar pela criança na favela. No fim da madrugada, foram à 15.ª Delegacia de Polícia (Gávea) registrar o desaparecimento. Por volta das 6 horas, retomaram as buscas, e o corpo de Rebeca foi localizado em um barranco, coberto por telhas, por uma vizinha. Uma testemunha contou à polícia que a criança foi abordada por um homem pardo, com idade entre 20 e 30 anos. A menina teria tentado se esquivar, sem sucesso.

O crime provocou revolta na Rocinha. Nas redes sociais, líderes comunitários e moradores comentaram o assassinato e postaram críticas à UPP. “O que me revolta é que UPP implantada para nós seria sinal de segurança, de uma nova vida de paz dentro da favela. Aí eles vêm e deixam pior do que já estava, matam moradores, levam para presídios quem estava na rua sem identidade, retiram pessoas de dentro de casa, humilham perante a família simplesmente pra mostrar que eles que são os mandatários”, escreveu um jovem, fiscal de papelaria.

Na inauguração da Cidade da Polícia, o governador Sérgio Cabral lamentou a morte da menina: “Qualquer caso nos dói muito, ainda são muitos desafios. Sabemos que estamos enfrentando o tráfico de drogas e a milícia. A gente não tinha a ilusão de que a recuperação dessas comunidades seria fácil”, afirmou.

O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios.

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