Menina encontrada morta no PR pode ter sido vítima de abuso

Titular da Delegacia de Homicídios pediu senha do Orkut para investigar se há algum suspeito no perfil da garota

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2008 | 18h36

Desaparecida desde o fim da tarde de segunda-feira, 3, quando saiu do Instituto de Educação Erasmo Piloto, no centro de Curitiba, onde cursava a 4ª série, para tomar o ônibus na Praça Rui Barbosa, a estudante R. M. L. O. G., de 9 anos, foi encontrada morta, por volta de duas horas da madrugada desta quarta-feira, 5, dentro de uma mala abandonada na rodoferroviária da capital paranaense. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) não está pronto, mas, segundo a polícia, há fortes indícios de violência sexual e morte por asfixia.   Veja também: CPI da Pedofilia recebe dados de 18.500 álbuns do Orkut   O delegado de Homicídios, Naylor Robert de Lima, disse que o perfil que a menina tinha no site de relacionamentos Orkut, apesar de ter 9 anos, será investigado para saber se ela não pode ter sido vítima de pedofilia. As senhas que ela utilizava já foram fornecidas pela família. "Vamos ver se há algum contato que possa ser suspeito", afirmou. "As crianças têm acesso à internet e ela pode ter sido assediada, já que existem fortes indícios de abuso sexual." No seu perfil, R. assina o nome com uma grafia diferente, pela qual suas amigas a conheciam, e declarava ter 20 anos. A garota também citava gostar muito de ginástica olímpica e de ler. Várias pessoas deixaram recados de apoio à família da garota.   O delegado do caso também disse que não descarta nenhuma outra hipótese sobre os motivos que possam ter levado à morte da menina, inclusive uma possível vingança. "Temos que conversar com a família mais atentamente", salientou. A princípio, essa possibilidade é descartada pelo padrinho da menina, Marcos Antônio Santos. Segundo ele, não há conhecimento de nenhuma ameaça contra os pais ou a criança, que morava com a mãe e os avós maternos na Vila Guaíra. Os pais - Maria Cristina de Oliveira e Michael Genofre - estão separados e evitaram falar com a imprensa. Eles deram apenas informações básicas à polícia pela manhã.   "Toda a família está chocada, está transtornada, em estado de choque, porque é complicado lidar com essa situação porque é uma menina bonita, alegre, de apenas 9 anos de idade e que sofreu isso nas mãos de um monstro", afirmou o padrinho, em entrevista à Rádio CBN, em Curitiba. A mulher de Santos, Lidiane Souza, referendou a informação sobre a falta de motivação para possível vingança. "Que a gente saiba eles não têm nenhuma inimizade", afirmou.   Pelas informações passadas por familiares e amigos, na segunda-feira ela saiu da escola por volta das 17h30 para pegar o ônibus, como fazia normalmente. Ela percorria um trecho de cerca de 100 metros até a Praça Rui Barbosa, onde fica o ponto. "Temos que delinear esse trajeto", disse o delegado. Além de ouvir pessoas que possam ter visto a criança, a polícia vai examinar possíveis imagens de câmeras de vídeo na região. Na manhã de terça-feira, a mãe, que é professora da rede municipal de ensino, fez um boletim de ocorrência no Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride).   Depois, ela foi à Praça Rui Barbosa e deu entrevistas a alguns canais de televisão que têm programas ao vivo daquele local, falando sobre o desaparecimento da filha. A mãe disse que, havia um ano, a menina passara a ir para a escola sozinha, de ônibus. Na segunda-feira, ela começou a se preocupar tão logo chegou em casa, às 19h15, e não a encontrou. Também não teria sido vista nas redondezas. "A gente começou a correr atrás", acentuou. Ela disse ter conversado com a mãe de um amigo de sua filha, na escola. "Ela conversou com a R., que disse tchau, disse que estava muito feliz e que estava indo para casa", acentuou Maria Cristina.   A felicidade da criança devia-se, em parte, a ter conquistado o primeiro lugar em um concurso de redação da Biblioteca Pública do Paraná. "Era uma aluna alegre, normal, feliz e bem inteligente", afirmou o diretor auxiliar da escola, Gilberto Prestes. R. tinha recebido o troféu na sexta-feira e, por isso, havia levado para a escola, a fim de mostrar para os amigos. Nesta quarta, a escola decretou luto e dispensou os alunos que estudavam com a menina. Um grupo que costumava pegar o ônibus juntamente com ela, estava parado no ponto diante de um cartaz pregado em um poste que comunicava o desaparecimento. "Ela fazia amizade muito fácil, no ônibus falava com todo mundo", afirmou uma das amigas.   O corpo foi encontrado pelo artesão Francisco Marcelino, que veio do interior do Estado para Curitiba e, sem ter onde ficar, acabou levando a família para dormir embaixo de uma escada da rodoferroviária. Como a mala, que tem o formato de um saco, estava atrapalhando, ele tentou tirá-la, mas era muito pesada. "Senti uma coisa estranha e fui direto na guarda", disse, ainda de madrugada, a uma equipe de televisão. Os fiscais decidiram abrir a mala e se depararam com o corpo.   Algumas pistas que a polícia está seguindo foram encontradas no corpo. Ele estava seminu, coberto com um lençol verde que tem uma logomarca, a ser investigada. Também foi envolto em uma sacola plástica. A que encobria a cabeça tem o nome de um supermercado do Bairro Xaxim. O delegado espera, também, que, em razão de a mala ser pesada, possa ter chamado a atenção de alguém ao ser carregada ou arrastada.   A rodoferroviária de Curitiba possui sistema de câmeras apenas na parte externa, onde ficam os táxis. Uma licitação está sendo feita para colocar também internamente, mas o resultado deve sair somente no dia 24. O corpo da criança deve ser sepultado nesta quinta-feira, 6.

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