Menino arrastado em carro no Rio faria sete anos em março

Parentes e amigos da família de João Hélio Fernandes, de 6 anos, que foi arrastado por bandidos por sete quilômetros no Rio, estavam revoltados no enterro e velório de João. ?É uma criança de seis anos, que foi brutalmente assassinada. É mais uma vítima da violência do Rio, um lugar em que policiais são mortos, queimam ônibus com pessoas vivas?, comentou o tio, Antônio Alberto Fernandes. O menino comemoraria 7 anos em março. ?A polícia está trabalhando, mas não adianta. Parece que eles se reproduzem. Eles destruíram uma família, não mataram apenas o Joãozinho?, disse a prima Andréa Tavares. A irmã de João, de 13 anos, entrou em desespero no momento do enterro. ?Desculpa, João. Eu não te salvei. Eu quero meu irmão. Tira meu bebê de lá?, dizia a adolescente, amparada pelos pais. A avó materna de João também desabafou: ?Essa violência tem que acabar. Não é possível. Eu perdi meu netinho.? João cursava o primeiro ano do ensino fundamental na escola Criança & Cia, na Abolição, bairro da zona norte do Rio próximo a Cavalcante, onde morava. Este ano, o menino, que gostava de futebol e tinha como time do coração o Botafogo, aprenderia a ler e a escrever. "Era um menino bonzinho, educado, sociável, atento e cuidadoso com as suas coisas. Tinha vários amiguinhos", disse Marta Botelho, secretária da direção da escola. A diretora, Maria Cecília Curi, e uma coordenadora estiveram no velório e no enterro para prestar solidariedade à família. Aluno da instituição há dois anos - lá ele cursou o Jardim 2 e o Jardim 3 -, João Hélio teve uma quarta-feira normal. Foi à escola (as aulas começaram no início do mês), na qual permaneceu das 7h45 e 12h15. A mãe, como de costume, o levou e o apanhou. De noite, o garoto acompanhou a mãe e a irmã ao centro espírita que a família costuma freqüentar. Depois de assistir a uma palestra, comeu pizza na cantina do centro. Foi na volta para casa que o carro em que eles estavam foi roubado - e João Hélio foi cruelmente morto. Os funcionários da escola ainda não sabem como vão explicar às crianças o que aconteceu a João Hélio. Pegos de surpresa pela notícia da tragédia, eles também não planejaram uma homenagem ao menino. Nesta quinta, eles entregaram aos pais dos alunos uma circular em que informaram o que acontecera. "Está sendo muito triste pra gente, que conviveu com ele, muito difícil. Não tem explicação pro que aconteceu. (Os bandidos) são vândalos, não sei o que têm na veia", disse a secretária da direção. "Se nós estamos nos sentindo assim, posso imaginar como está a mãe. Ela sempre foi atenciosa com o filho."

Agencia Estado,

09 Fevereiro 2007 | 12h04

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