Menino de 13 anos furta carro

Garoto guiou veículo no Pari; sem passagem, ele foi liberado

Camilla Haddad e Adriana Carranca, O Estadao de S.Paulo

26 Fevereiro 2009 | 00h00

Franzino e com menos de 1,5 metro de altura, R.P.S., de 13 anos, mal conseguia alcançar os pedais do Fiat Elba que furtou em uma rua no Pari, no centro. Até a mãe do menino, a doméstica Joana Pereira, de 38 anos, assustou-se com a ousadia do filho - segundo ela, R. nunca havia dirigido. De bermudão e chinelo de dedo que permitia tocar o acelerador com a ponta do pé, R. atravessou a Rua Bom Jardim em alta velocidade, mas, ao fazer a curva para entrar na Rua Pascoal Ranieri, deparou-se com um caminhão. Sem experiência ao volante, perdeu o controle. Parou num poste. "Foi Deus (quem o salvou)", disse a mãe, aos prantos. Com um corte profundo na cabeça, o menino ainda tentou fugir a pé. Foi pego por guardas civis metropolitanos que passavam pelo local. Curiosos avisaram a GCM para onde o menor havia corrido. Ele tentou pular o muro de um estacionamento, mas escorregou. Aos GCMs, garantiu que encontrara o carro com as portas abertas e a chave "mixa", utilizada para abrir diversas fechaduras, no contato. Ele acionou a ignição e decidiu sair para "dar uma volta". O carro furtado estava em nome de uma mulher que afirmou tê-lo vendido "há alguns anos". Ela informou não saber como localizar o comprador. Sem passagem pela Fundação Casa, o menino foi liberado. O delegado Everli de Abreu, do 12 º Distrito Policial (Pari) registrou o caso como ato infracional e fez Joana se comprometer a apresentar o filho na próxima semana na Vara Especial da Infância e da Juventude. Joana cria sozinha seis filhos menores de 18 anos. Com eles, vive em um barraco de um cômodo, no Jardim Fontalis, zona norte. A família se mudou para o bairro há duas semanas - antes, moravam de aluguel na região do Canindé, zona leste. Ontem, a mãe chorava de vergonha. "Para mim foi um choque. Meu filho saiu com a minha outra menina, de 16 anos. Eles foram para o Canindé passear", disse Joana. Ela disse ter sentido um "aperto" no coração. Pegou um ônibus, foi atrás dos filhos e, ao chegar ao Canindé, soube do furto. Órfão de pai, o menino é tido como introspectivo. Não gosta de futebol e passa os dias sozinho. Não estuda, porque a mãe não teria conseguido vaga. "Não sei por que ele fez isso. Não temos envolvimento com a polícia. Estou assustada."

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