Menino de 5 anos é morto por bala perdida

No Guarujá, quatro homens em motos passaram atirando na frente de bar e mataram dois; no mesmo local, houve caso semelhante há 1 mês

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

22 de dezembro de 2007 | 00h00

Um carrinho de ferro, um presente de Natal de Cauê Cambris, de 5 anos de idade, foi colocado sobre seu caixão, ontem à tarde. O garoto morreu após ser atingido por uma bala perdida,disparada por um dos quatro homens que mataram dois rapazes na porta de um bar, no bairro de Vila Júlia, no Guarujá, na Baixada Santista. Uma terceira pessoa também foi ferida.Armados com pistolas, os criminosos, em duas motos, passaram atirando na frente do estabelecimento, às 20 horas de anteontem. Nesse horário, Cauê tinha acabado de sair de um minimercado de mãos dadas com a mãe, a cozinheira Magda Cambris Silva, de 41 anos. Quando viu Cauê baleado, Magda pegou o filho nos braços e se ajoelhou no meio da rua, gritando por socorro. Um motorista parou para socorrer a criança, mas o menino morreu a caminho do Hospital Santo Amaro, no centro do Guarujá.Na Rua Sílvio Rolim, rodeada por favelas, onde aconteceu o crime, morreram, além de Cauê, o pintor de paredes Evandro Inácio, de 29 anos, e o desempregado José Nunes da Silva, de 49. Segundo a polícia, os dois têm passagem por tráfico de drogas e agressão e crime eleitoral, respectivamente. Já o ambulante Kennedy Santos, de 28 anos, levou um tiro na perna e passa bem.Moradores da região também levantaram a hipótese de que os tiros possam ter sido disparados por policiais militares. "Não é a primeira vez que passam atirando, sempre com capacete escuro. Em seguida, logo chega uma viatura", disse uma faxineira. Ainda de acordo com eles, há um mês um rapaz de 17 anos foi assassinado pelos mesmos homens em duas motos, numa rua próxima ao local do crime.O delegado titular da 1ª Delegacia da cidade, Cláudio Rossi, diz não acreditar em envolvimento de policiais. Para ele, uma das hipóteses é que tenha ocorrido "demarcação de território", por causa do tráfico de drogas. "Mas é muito cedo para dizer algo ."O irmão de Cauê, Anderson Cambris, de 17 anos, espera justiça. "Somos pobres, mas vou lutar para achar quem matou a a minha maior razão de viver."

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