Menino de 8 anos ajuda mãe no parto

?Pedi para ela fazer força?, conta

Marcela Spinosa, O Estadao de S.Paulo

16 de setembro de 2008 | 00h00

Apesar do sonho de se tornar policial, o estudante Robert Vieira de Lima, de 8 anos, agiu ontem como médico. Ele ajudou sua mãe, Roberta Cristina Aparecida Vieira, de 27 anos, a dar à luz a mais nova integrante da família. O nascimento de sua irmã aconteceu na casa onde eles moram na Cohab Juscelino Kubitschek, zona leste, enquanto o pai, Leonardo Sabino, de 28 anos, procurava ajuda para a mulher. Quando Sabino voltou, acompanhado da Guarda Civil Metropolitana (GCM), Lidiane já havia nascido. A menina pesa 3,140 quilos e está em observação no Hospital Geral de Guaianazes com a mãe.Roberta começou a sentir contrações por volta das 3 horas. Ela, no entanto, preferiu esperar o dia amanhecer para ir ao hospital porque fazia frio. Mas as dores ficaram mais fortes, Roberta não conseguia dormir e Sabino decidiu sair para chamar uma ambulância. Enquanto Sabino buscava auxílio, Roberta foi tomar banho. ''Ela começou a gritar muito debaixo do chuveiro'', disse Robert. Ele tirou a mãe do chuveiro e a colocou em sua cama. ''Foi muito rápido. Ela falou: ''empurra a barriga''. Aí eu falei: ''E você tem de fazer força''. Ela fez e saiu a cabeça'', contou o menino que disse ter ''aprendido'' na televisão a arte de ser parteiro.A partir daí, segundo ele, veio a parte mais fácil: ''Peguei no pescoço dela e puxei devagar para não machucá-la.'' CHORORobert, a pedido da mãe, pegou uma tesoura e ela mesma cortou o cordão umbilical. O estudante, por sua vez, buscou uma toalha e cobriu a irmã. ''Quando terminei de enrolar (a toalha), ela começou a chorar e abriu os olhos. Ela chorava muito'', disse, com um sorriso no rosto. Quando Sabino voltou, cerca de meia hora após ter saído, recebeu a notícia. ''Queria assistir ao parto no hospital e, no fim, meu filho ajudou minha filha a nascer. Nunca imaginei que ele tivesse sangue frio para fazer isso. Estou feliz e orgulhoso'', disse. Quando Sabino saiu para buscar ajuda, disse que, primeiro, tentou ligar para o Samu. Mas a ligação não foi atendida. Então, ele seguiu para a base da GCM e levou os guardas até sua casa. Foram eles que levaram Roberta e Lidiane para o hospital.

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