Menino de 9 anos desaparecido durante chuvas no Rio reencontra a família

Jovem caiu em um córrego na quinta-feira e conseguiu se segurar em plantas

Felipe Werneck, de O Estado de S. Paulo,

05 de janeiro de 2013 | 13h28

Um menino de 9 anos considerado desaparecido desde a tarde de quinta-feira, durante a enxurrada que atingiu a Baixada Fluminense, reencontrou os pais anteontem. Daniel de Souza contou que foi arrastado pela correnteza depois de ter sido empurrado por outros meninos em um córrego na região onde mora, em Nova Iguaçu, quando atravessava uma ponte.

 

O garoto disse que conseguiu se segurar na vegetação à margem do rio, mas acabou percorrendo uma distância de 1,7 km, levado pela água. Mesmo sem saber nadar, Daniel afirmou ter atravessado uma galeria que passa embaixo da Via Dutra. “Pensei que ia morrer”, disse o garoto.

 

Menino de 9 anos foi arrastado por cerca de 1,7 km durante as fortes chuvas que caíram no Estado do Rio de Janeiro

 

Daniel contou que, na altura do bairro de Rosa dos Ventos, conseguiu se agarrar à escada de uma ponte e subiu. Lá, pegou um ônibus e foi até Santa Eugênia, que fica a 4,5 km de distância, perto de onde a mãe trabalha, disse ele. Na rua, encontrou um amigo e acabou dormindo lá.

 

Segundo o pai, Anderson de Souza, disse ao Estado, a mãe do amigo tentou avisar que Daniel estava lá, mas não conseguiu – as linhas estavam sempre ocupadas.

 

“O Daniel falou para o amigo que a gente tinha deixado ele dormir lá”, afirmou.

 

No dia seguinte, os pais foram finalmente avisados e buscaram o filho.

 

“Não quero para ninguém o que passamos nesses dois dias”, disse a tia Gisele Leandro. Na quinta, quando o rio transbordou, Daniel havia saído para comprar pão. “Hoje (ontem) ele queria ir de novo, mas foi proibido”, disse o pai. Ele afirmou não entender por que o filho foi empurrado no rio. “Meu filho é tranquilo.”

 

À tarde, o menino foi levado pela mãe, Ivete Silva de Souza, ao Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, na zona oeste da capital, para ser vacinado, porque ingeriu água possivelmente contaminada. Antes, foi a um posto de saúde no bairro de Comendador Soares, em Nova Iguaçu, mas não havia vacina. Ele sofreu apenas um arranhão no ombro esquerdo.

 

A Defesa Civil continuava ontem à procura do funcionário da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) Enéas Paes Leme, de 55 anos, desaparecido desde quinta em Xerém, Duque de Caxias. O número de desabrigados e desalojados pela chuva no Estado do Rio chegou a 2,5 mil, segundo balanço da Defesa Civil. O temporal deixou um morto em Xerém.

 

(Texto atualizado às 19h40)

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