Menino fica preso, nove dias, num buraco de 8 m e sai ileso

Os médicos que atenderam Márcio R. Francisco da Silva ficaram impressionados com a resistência física do estudante de 13 anos, que passou nove dias preso no fundo de um buraco de oito a dez metros de profundidade, no Morro das Pedras, região oeste de Belo Horizonte. O adolescente foi resgatado no final da tarde de ontem e levado para o Hospital Pronto Socorro João XXIII, desidratado, desnutrido, mas consciente e sem nenhuma fratura. Ele foi transferido na manhã de hoje para o hospital Mater Med, na região sul da cidade, onde permanecia internado em observação e passava bem. Ainda na maca do HPS, o adolescente contou com voz baixa que soltava pipa na tarde do dia 03, quando caiu no tubulão de uma obra abandonada, há poucos quarteirões de sua casa. ?Fui correr atrás de um papagaio e escorreguei?, disse. No local, hoje um terreno baldio, há várias perfurações no solo, abertas para o alicerce dos prédios, que não foram construídos. Durante os dias em que Márcio esteve desaparecido, a família espalhou faixas e cartazes à sua procura. Por volta das 17h de ontem, uma mulher e outros garotos que foram ao terreno para também soltar pipas ouviram os pedidos de socorro do menino. O vigilante José de Fátima da Silva, de 49 anos, tio de Márcio, e um vizinho resgataram-no. Com as roupas rasgadas, bastante abatido, sujo de terra e reclamando de muita sede, Márcio foi abraçado pela mãe, afaxineira Sandra Francisco da Silva, 42 anos. Depois da emoção de reencontrar o filho, ela pediu punição para os donos do lote onde se encontra a obra abandonada. Os momentos mais dramáticos, segundo relato de Márcio, ocorreram na tarde do último sábado, quando ele jáestava há sete dias no buraco. Uma forte chuva caiu em Belo Horizonte e o garoto disse que sentia muito frio e dores no peito. Mas para os médicos que o atenderam, foi justamente a água da chuva que ele bebeu que ajudou a salvar sua vida. No período em que esteve preso no buraco, Márcio teria emagrecido dez quilos. O coordenador do plantão médico doHospital João XXIII, Luiz Alberto Sabino Silva, classificou de ?inexplicável?, do ponto de vista clínico o fato de o estudante ter sobrevivido. Por isso, chamou a atenção para possíveis ?seqüelas psicológicas?, que ele possa vir a sofrer. Outro coordenador médico do hospital, Wander Costa Santos, também se espantou com a história. ?Do jeito que ele chegou aqui, parece que não foi uma coisa tão séria assim. É complicado a gente fazer uma análiseadequada?.Santos disse que Márcio foi transferido ?simplesmente por uma questão de zelo?. ?Não tinha nenhuma lesão corporal,mas se encontrava desidratado, desnutrido. Ele recebeu a medicação e tolerou bem a dieta?, explicou. De acordo com informações do hospital Mater Med, não havia previsão de alta para o adolescente, que continuava lúcido e com ?todos os sinais vitais em ordem?.

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