Menino recebe fígado de garota morta no interior

Gabriela, assassinada em Rio Claro durante assalto, foi enterrada ontem

Emilio Sant?Anna, O Estadao de S.Paulo

23 de maio de 2009 | 00h00

Ricardo Lopes de Melo, de 6 anos, 12 quilos e doente hepático crônico desde os 3 meses de vida, recebeu ontem o fígado doado pela família de Gabriela. A garota morreu na terça-feira, aos 8 anos, após ser baleada durante um assalto em sua casa em Rio Claro, no interior do Estado. A operação foi realizada no Instituto da Criança, do Hospital das Clínicas, em São Paulo.O órgão chegou ao hospital por volta das 6 horas. A cirurgia durou nove horas. Segundo os médicos, o estado do menino é considerado estável e a expectativa é que ele se recupere bem. Durante as próximas três semanas, Ricardo deve permanecer internado. "A cirurgia ocorreu de forma satisfatória, ele está respirando normalmente e agora temos de esperar os próximos dias", afirmou o cirurgião infantil Luiz Roberto Ricardo, que participou do transplante. O menino e sua mãe, Maria José Lopes Souza, vieram de Independência, no interior do Ceará, há três semanas. ENTERROAo menos 500 pessoas acompanharam, em Rio Claro, o enterro de Gabriela, baleada na cabeça quando dois homens invadiram a casa de sua família, no condomínio de luxo Jardim Botânico. O crime aconteceu na noite de terça-feira, quando a garota e sua irmã gêmea estavam em casa, com a babá. Dois homens armados escalaram um muro aparentemente protegido por cercas elétricas e câmeras de segurança. Durante o assalto, o alarme da casa disparou. Foi quando um dos homens baleou a garota. Os assaltantes fugiram em um veículo roubado no condomínio. A Polícia Civil informou que os homens levaram joias e dinheiro. Testemunhas apontaram dois suspeitos, um deles com 17 anos e passagens pela polícia. O titular da Delegacia de Investigações Gerais de Rio Claro, Paulo Nabuco, informou ontem por meio de funcionários que só falará com a imprensa após a prisão dos suspeitos. Em entrevista coletiva dada na quinta-feira, Nabuco disse que o tiro não foi acidental. Os suspeitos continuam foragidos. A polícia não descarta a possibilidade de a entrada dos homens ter sido facilitada por terceiros, já que as câmeras e cercas elétricas não estavam funcionando. Ontem, moradores fizeram um protesto na entrada do município. Ao sair do velório, o prefeito Palminio Altimari Filho (PMDB) reclamou das condições das polícias Civil e Militar. Os alunos do Colégio Koeller, onde a vítima estudava, homenagearam a colega. "Os amigos choraram muito e estão abalados. Hoje (ontem), soltamos balões de gás brancos pela paz", disse a professora da garota, Maria Cândida Nevoeiro Demarchi.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.