Menores da Febem têm acesso a celular por R$ 150

A Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) de Franco da Rocha teve nos últimos dias tumultos, fugas e indícios de entrada de drogas. Agora, os adolescentes têm acesso a celular. A Polícia Militar encontrou nesta terça-feira dois aparelhos e cinco carregadores nas Unidades 30 e 31.A reportagem do Estado teve acesso a números que continuavam sendo usados após a revista por internos da 30 e, por volta das 14 horas, conseguiu contato com F.P., de 19 anos, o Batoré.Ele disse que o aparelho havia sido encontrado no lixo, falou sobre tumultos e desligou. Um parente de um dos internos informou, porém, que os celulares são "vendidos" por funcionários a R$ 150,00.A Associação de Mães e Amigos da Criança e do Adolescente em Risco confirmou ter recebido denúncias de uso do aparelho em Franco da Rocha e no Brás, onde acompanhou o caso de um jovem que falava com líderes de uma facção pelo celular de um funcionário, em janeiro."Ou a Febem muda ou a internação continuará servindo apenas para reforçar a violência", disse Conceição Paganele, presidente da entidade.O diretor do Complexo de Franco da Rocha, José Thomaz Celidônio dos Reis, informou só ter conhecimento do material encontrado pela PM e disse que os aparelhos entraram antes de ele ter proibido seu uso por funcionários. "Não tem como entrar celular sem a ajuda dos monitores."O presidente do sindicato dos funcionários, Antonio Gilberto da Silva, negou as acusações. "Os trabalhadores passam por revistas. Quem entra com celular é diretor." Ele disse que o acesso aos telefones não se limita à unidade.O Estado recebeu denúncias de internos de Franco da Rocha espancados. "Os funcionários estão indo de cela em cela bater", disse um deles. Segundo o sindicato, a diretoria do complexo distribuiu cassetetes e escudos aos funcionários e pediu que "botassem ordem na casa".Celidônio disse que a acusação é "mentira". O sindicato fará nesya quinta-feira uma manifestação e promete greve na sexta-feira.

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