Menos da metade das vítimas foi identificada

Em Ilhota, com o maior número de óbitos, só se sabe o nome de bebê

Daniela Pereira, AGÊNCIA RBS, O Estadao de S.Paulo

28 de novembro de 2008 | 00h00

O abraço apertado e a respiração profunda demonstram o alívio de Fernando Visoli ao poder se despedir da madrinha, Lourdes Wandscheer, de 59 anos. A morte já era esperada, mas somente se tornou concreta para a família quando o corpo foi encontrado, quarta-feira, no Ribeirão Garcia. Como Fernando, as famílias de outras 22 pessoas mortas na cheia e nos deslizamentos dos últimos dias conseguiram velar e enterrar os parentes. É o contrário do que ocorreu em Ilhota, onde se identificou apenas 1 de 32 mortos, um bebê de apenas 1 ano. Confira a lista de mortosQuase uma semana após o início das chuvas que causaram a maior tragédia ambiental da história de Santa Catarina, a lista de mortos está longe de ficar definida. Sabe-se apenas que o número de vítimas passou de cem. Há casos, como o Estado relatou ontem, de pessoas enterradas no quintal de suas casas - que até agora não entraram na contabilidade da Defesa Civil, pois não foram nem relatadas pela equipe de resgate nem pelo Exército. As identificações seguem em ritmo lento e corpos resgatados em vários locais ainda não constam nos registros (mais informações nesta página)."Existe a dor, mas agora sentimos também alívio. Foram dois dias de angústia e procura. Vamos nos despedir e lembrar dela com carinho", desabafou o afilhado Fernando, com os olhos marejados, durante o velório de Lourdes, ontem de manhã. A procura pelos familiares desaparecidos não pára. Qualquer boato de um corpo encontrado ou de buscas feitas por bombeiros é motivo de correria e apreensão. A cena foi vista repetidamente nos municípios catarinenses de Gaspar e Ilhota, quando as equipes de resgate chegavam com os corpos do Morro do Baú. As famílias garantem que nem todos foram encontrados. "Não queria que ninguém passasse pelo que passamos, foram dois dias sem dormir, sem saber o que pensar. Só digo para as famílias terem força", desejou Sirlei Alba, 42, filha de Lourdes.De Benedito Novo a Itajaí, as equipes de resgate conseguiram entregar 70 corpos às famílias. Em todo o Estado foram 99. Mas quantos terão de adiar o adeus ou nunca o farão, ninguém sabe responder com precisão atualmente. A Defesa Civil do Estado registrou até agora 19 desaparecidos - mas não pode garantir que nenhum deles já não conste na lista de óbitos.Até agora, a Secretaria de Estado da Segurança Pública e de Defesa do Cidadão conseguiu identificar 46 das 99 vítimas, em Benedito Novo (2), Brusque (1), Blumenau (22), Florianópolis (1), Gaspar (10), Ilhota (1), Itajaí (2), Rancho Queimado (2), Rodeio (4) e São Pedro de Alcântara (1).

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