Menos populosa do País, Borá tem 837 moradores

Em um ano, apenas três pessoas engrossaram as estatísticas; nem usina de álcool fez o local crescer

José Maria Tomazela, SOROCABA, O Estadao de S.Paulo

19 Agosto 2009 | 00h00

Desde que entregou a prefeitura ao sucessor, em janeiro deste ano, o ex-prefeito Nelson Celestino Teixeira, de 67 anos, se ocupa de contabilizar quem nasce e quem morre em Borá, a 487 km de São Paulo, no oeste paulista. É uma contagem bastante equilibrada, segundo ele. "Comemoramos 18 nascimentos, mas também morreu muito idoso, deve chegar a umas 15 perdas." Essa aritmética é fundamental para uma cidade que, nas últimas décadas, empacou e não consegue atingir o primeiro milhar de moradores. De acordo com o IBGE, Borá tem 837 habitantes, três a mais que na contagem anterior, em 2008, e continua na lanterna populacional entre as cidades brasileiras. O que deixa o ex-prefeito inconformado é que, há seis anos, a cidade ganhou uma usina de açúcar e álcool - aliás, a única indústria - que, sozinha, tem o dobro de empregados que toda a população da cidade, cerca de 1.600. Dada a escassez da mão de obra local, a usina foi buscar mais de mil trabalhadores em cidades vizinhas, mas não adiantou. "Por falta de casas, ninguém veio morar em Borá", diz Teixeira. Ele conta que a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) iniciou a construção de um núcleo com 101 casas - "o suficiente para atrair 500 novos moradores ou mais" -, mas a empreiteira enfrentou problemas com a Justiça e as obras pararam em 2008. O ex-prefeito espera que a construção seja retomada neste ano. "Parece que a cidade está com preguiça de crescer." Enquanto o crescimento não chega, os moradores disputam os serviços oferecidos por uma única agência bancária, uma escola, um posto dos Correios, os quatro ônibus e um centro de saúde com tão pouca estrutura que há muitos anos não nasce ninguém em Borá. Para dar à luz, as gestantes são levadas para o hospital da vizinha Paraguaçu Paulista. Nos últimos dez anos, a cidade registrou um único homicídio, em 2002. A Polícia Militar tem apenas uma viatura, acionada em caso de acidentes e, mais raramente, briga de bar. As pessoas se conhecem pelos apelidos. O estudante Luís Henrique dos Santos diz que os jovens vão embora para estudar. "Está ficando uma cidade de velhos." Aposentados se reúnem na praça na frente da prefeitura. Os 290 imóveis se espalham pelas 25 ruas e travessas. Aos domingos, os moradores vão ao estádio municipal incentivar o Borá F.C. em partidas contra times das cidades vizinhas. A cidade conta com internet, mas ainda não tem TV a cabo. O número de eleitores - 924 - é maior que a população, por causa dos empregados da usina que transferiram os títulos. Mesmo assim, é o menor colégio eleitoral do País.A cidade, ex-distrito de Paraguaçu, foi emancipada em 1964. O nome foi emprestado de uma espécie de abelha.

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