''Mensalão do DEM'' acirra a disputa no PT

Pré-candidatos no DF, Agnelo e Magela trocam acusações por causa das fitas do esquema

Christiane Samarco / BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

20 de março de 2010 | 00h00

O escândalo do DEM do Distrito Federal contaminou o processo de escolha do candidato do PT ao governo de Brasília. O que esquenta o debate entre os dois pré-candidatos - o ex-ministro dos Esportes Agnelo Queiroz e do deputado Geraldo Magela - são as fitas gravadas pelo ex-secretário Durval Barbosa, revelando o esquema de corrupção que levou o governador José Roberto Arruda à prisão.

Na origem está a notícia de que Agnelo havia assistido às fitas antes de estourar o escândalo. A partir daí, Magela também se posicionou como candidato a governador, dando início à troca de acusações.

Com o fim do acordo pelo qual um concorreria ao governo e o outro, ao Senado, as eleições prévias para a escolha do candidato do PT a governador do Distrito Federal serão realizadas amanhã.

O primeiro enfrentamento oficial entre os dois petistas ocorreu na noite de terça-feira em meio à guerra de torcidas que marcou as quatro horas do debate realizado no auditório de um hotel da capital. A despeito das regras previamente acertadas pela dupla, foi impossível conter a gritaria e as vaias da plateia, composta por cerca de 600 militantes do PT de Brasília.

"Quando descobri que Agnelo teve acesso a informações sobre o governo Arruda, me senti traído e resolvi apresentar meu nome", bradou Magela.

Ele acusou o "companheiro" de articular apoios junto a partidos aliados, ofertando a vaga ao Senado que, pelo acordo interno do PT, era sua. "O acerto era que a candidatura ao governo e ao Senado seriam prioridade do PT. Mas, nas minhas costas, estavam dizendo que o PT poderia nem ter candidato ao Senado."

Patrimônio. Os ânimos ficaram ainda mais acirrados quando Agnelo foi cobrado a prestar esclarecimentos sobre sua casa no bairro nobre do Lago Sul e a dirimir dúvidas sobre sua evolução patrimonial. Agnelo respondeu entregando ao presidente do PT local, Roberto Policarpo, documento da Receita Federal sobre seu patrimônio. "É um constrangimento absurdo", protestou.

Em meio aos ataques mútuos e à saraivada de vaias de parte a parte, militantes tentaram equilibrar a discussão com a tese de que um petista viu as fitas e o outro soube da existência delas. Quando o debate foi aberto a intervenções da plateia, um aliado de Agnelo admitiu que "as fitas do Durval podem prejudicar a campanha do PT, sim", convocando Magela a esclarecer como soubera que as fitas existiam.

"Tentaram plantar que eu conhecia as fitas. Se conhecesse, a primeira coisa que faria era comunicar à Executiva do partido e a segunda, ao Ministério Público", rebateu o petista aos berros, com o microfone nas mãos. "O Agnelo foi ver as fitas e só disse que foi porque, infelizmente, foi filmado lá dentro. Se não fosse, não estaríamos sabendo disso até hoje."

Aloprados. "Vi as fitas, mas não tinha nenhuma certeza se eram verdadeiras ou se havia montagem. Não estava certo meter o PT nisso, com tanta confusão de golpe, de aloprados", defendeu-se. Agnelo argumentou que o resultado acabou sendo melhor, porque as denúncias "partiram de dentro da própria quadrilha", causando a queda do esquema. "Ainda bem que fui eu que vi, porque seguramos isso, para levar a esse desfecho. Mostramos as práticas do DEM e dos neoliberais para o País inteiro."

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