Mercadante defende força tarefa para combater o crime organizado em SP

O candidato do PT ao governo paulista, Aloizio Mercadante, criticou a situação da segurança no Estado que, segundo ele, chegou a um nível insustentável e disse que vai propor a criação de uma força-tarefa para dar um combate sem tréguas a criminalidade, formada pelos governos estadual e federal, o Ministério Público, a Receita Federal, o Banco Central, a inteligência das Forças Armadas e a Força Nacional de Segurança.Ele avalia como "um fracasso completo" a atuação da Secretaria de Segurança Pública nesse sentido. "Só no último trimestre foram 1.741 homicídios em São Paulo, mais mortos do que na Guerra do Líbano. Esses números falam por si só".Em caminhada pelo centro comercial do bairro do Tucuruvi, em São Paulo, na manhã deste sábado, Mercadante criticou duramente a situação da segurança no Estado. "Os dirigentes do PCC saíram de carro do presídio de São José do Rio Preto, para pegar um avião. Não é possível o Estado ficar fazendo acordo a todo momento". Se eleito, garantiu que implantará uma série de mudanças na área de segurança, com a adoção, por exemplo, de uma política de ressocialização do preso e da força-tarefa.O candidato do PT também afirmou que o início do horário eleitoral gratuito na televisão e rádio na próxima terça-feira (dia 15), vai "dar vida" a sua campanha. "Estou entusiasmado. Estamos em rota de crescimento e o horário eleitoral gratuito vai ajudar definitivamente", afirmou.PesquisaEle declarou que é a primeira vez que um candidato do PT que disputa o governo do Estado sai deste patamar de pesquisa - na última pesquisa Ibope tinha 15% de votos. "Eu para o Senado tinha muito menos. No dia da eleição, as pesquisas registravam empate técnico e na abertura das urnas eu tive 5 milhões de votos a mais".O candidato do PT atribuiu a queda do candidato do PSDB, José Serra, na pesquisa Ibope à insatisfação do eleitorado com o fato de Serra ter abandonado a cidade e não ter feito nada do que prometeu na área da saúde. O não comparecimento no debate promovido pela Rede Gazeta nesta semana e também aos ataques do PCC são outros dois possíveis indicadores, segundo Mercadante. Quando perguntado sobre as informações de que o presidente Lula também não vai comparecer a debates, a exemplo de Serra, Mercadante se esquivou de responder, dizendo que não tem informação sobre esta questão, "vamos aguardar".SaúdeDurante a caminhada no Tucuruvi, uma das principais demandas das pessoas com quem conversou foi a necessidade de melhoria da área da saúde. "O quadro de dificuldades para fazer cirurgias e exames de saúde exige uma resposta", afirmou propondo durante o seu governo,uma parceria entre União, Estados e municípios para melhorar esse segmento. Prometeu ainda a implantação de um cartão saúde que vai informatizar e melhorar a organização do sistema e reduzindo as filas.Ele prometeu também a construção de um hospital estadual na região em parceria com a Prefeitura e criticou um sistema que existe hoje terceirizado na área da saúde, formado pelas OS, organizações da saúde. O senador se indignou com o relato de uma moradora da região, cujo o filho quebrou três costelas e calcanhares ao cair do terceiro andar e teve o atendimento negado no Hospital São Luiz Gonzaga. "Eles me mandaram para um hospital em Mogi das Cruzes", contou Sidnéa Lopes Borges, de 55 anos. Lei Kandir Mercadante se mostrou preocupado com a falta de repasses dos créditos referentes à compensação da Lei Kandir aos empresários, já que o passivo está se acumulando a cada dia. "A falta de repasse às empresas é a preocupação. Estamos tentando discutir um mecanismo pelo qual as empresas recebam os créditos que são repassados pelo governo federal ao Estado".Ele afirmou que a segurança do repasse é fundamental, porque embora muitos Estados estejam em dificuldades financeiras, "se o recurso está destinado a esta finalidade, não pode ser direcionado pelo Estado a outras necessidades". Segundo o senador petista, a Medida Provisória votada no ano passado não resolveu essa questão.O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta semana que o governo trabalha na criação de um fundo para substituir o sistema de compensação. A iniciativa permitiria o repasse de recursos deste fundo diretamente para as empresas, eliminando a mediação dos governos estaduais. Matéria ampliada às 16h06.

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