Mercadante diz esperar rápido esclarecimento sobre dossiê

O candidato do PT ao governo de São Paulo, senador Aloizio Mercadante, lamentou neste domingo o constrangimento provocado pelas denúncias sobre a participação de um suposto representante da Executiva do PT paulista na compra de um dossiê envolvendo o candidato do PSDB, José Serra, com a máfia dos sanguessugas. "Estou com um pé no segundo turno e agora tenho de explicar uma situação como essa que é contra os meus valores e contra a história que construímos", declarou, em entrevista concedida no bairro de Socorro, zona Sul de São Paulo, onde participou de carreata no final da manhã.Entretanto, o candidato petista avaliou que as denúncias não devem afetar seu desempenho eleitoral ou mudar os rumos da campanha. "A população nos conhece e sabe da nossa atitude", disse o petista. O "pé no segundo turno" passou a ser diagnosticado por Mercadante depois que a pesquisa Ibope/Rede Globo apontou, na semana passada, o seu crescimento de 18% para 23% nas intenções de votos. Ainda assim, segundo a pesquisa, Serra venceria no primeiro turno com 47%, pois a soma dos demais candidatos, incluindo o ex-governador Orestes Quércia do PMDB, com 9%, somaria 36%.Ao mesmo tempo em que repudiou a prática de manipulação de dossiês, Mercadante disse estar confiante na apuração, pela Policia Federal, de todas as denúncias sobre a possível participação da Executiva do PT paulista na compra de material comprometendo os candidatos tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. "Espero que a Policia Federal possa apresentar o mais rápido possível os resultados das investigações, mostrando se este dossiê existe, o que é esse documento e quem participou dele", declarou.O envolvimento da Executiva paulista no processo foi apontado à PF, em depoimento, pelo lobista Valdebran Carlos Padilha da Silva, ligado ao PT do Mato Grosso, e o advogado Gedimar Pereira Passos, ex-agente da Polícia Federal, presos sexta-feira num hotel em São Paulo com R$ 1,7 milhão mais 248 mil dólares. Eles teriam recebido o dinheiro de um representante do partido para comprar um DVD e uma agenda que envolveriam Serra e Alckmin com a máfia dos sanguessugas. O material seria fornecido pelo empresário Luiz Antônio Vedoin, acusado de chefiar a quadrilha da máfia dos sanguessugas.Mercadante disse que não conhece Valdebran e Gedimir e nem o teor do depoimento que ambos prestaram à Polícia Federal. "Nunca os vi e nunca falei com eles", assegurou. Depois de mencionar a versão de que parte do pagamento pelo material seria bancada por uma revista, Mercadante disse não acreditar nessa possibilidade. "Não é tradição da imprensa brasileira pagar, muito menos dessa forma, mas todas as hipóteses tem que ser investigadas."VítimaAo condenar o procedimento contra Serra, Mercadante argumentou que a "compra de dossiês em campanhas eleitorais é coisa da qual o PT sempre foi vítima e jamais participou". Ele reforçou que o PT rejeitou, em 1998, o chamado dossiê Cayman, oferecido ao partido em 1998 com o aceno de que traria indicações de contas no Exterior em nome do então candidato à reeleição pelo PSDB, Fernando Henrique Cardoso, e outros políticos tucanos. "Nunca nos associamos a esse tipo de prática", assegurou. Mercadante também argumentou que antes da eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, o PT perdeu três eleições presidenciais e em nenhuma delas houve problemas desse tipo. "Fui candidato ao Senado, estive atrás das pesquisas e também nunca houve algo desse tipo", reforçou.Apesar de condenar o episódio específico da possível compra de dossiês, o candidato petista alertou que as denúncias em torno da compra superfaturada de ambulâncias "são coisas sérias" que precisam ser apuradas. "Essa história dos sanguessugas, que começou no governo anterior, não acabou e o atual capítulo ainda não está escrito. Tem que ser investigado primeiro", sustentou, negando que em alguma momento tenha pretendido tirar proveito eleitoral do episódio. "Nunca tive nenhum muro pintado contra um adversário, nenhuma crítica no meu portal e não utilizei em nenhum dia no meu horário eleitoral para agredir o adversário porque ele tem direito de defesa e não farei qualquer pré-julgamento".O candidato disse que vai manter o atual estilo e ritmo de campanha, mostrando que o Estado de São Paulo tem uma debilidade muito grande na área de segurança e que o candidato do PSDB, José Serra, não usou até agora o programa eleitoral para discutir o tema.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.