Mercadante diz que situação atual da segurança em SP é inaceitável

A falta de coordenação entre as diversas instâncias e a "situação de descontrole" do sistema prisional de São Paulo foram as principais falhas na gestão da segurança pública estadual apontadas pelo candidato ao governo paulista pelo PT, senador Aloizio Mercadante. Em evento para apresentar suas propostas para a área de segurança, o senador evitou, no entanto, citar nomes ou fazer críticas pessoais. O ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos, também estava presente.O programa conclusivo, cuja elaboração tem a participação do cientista político e ex-secretário de Segurança de Guarulhos, Guaracy Mingardi, ficará pronto em meados deste mês, segundo Mercadante. "Estamos numa situação inaceitável. Tivemos 131 mil homicídio no Estado em dez anos. No segundo trimestre deste ano morreu mais gente em São Paulo do que na guerra do Líbano. Foram mais de dois milhões de veículos roubados em dez anos, praticamente toda a produção de automóveis do ano passado", disse o senador.Integração A maior integração entre as diversas instâncias dos governos estadual e federal no combate ao crime é um dos pilares das propostas. "Precisamos fazer uma força-tarefa do governo federal com o governo de São Paulo, juntando os Ministérios Públicos Estadual e Federal, a Polícia Federal, a Polícia Civil, a Polícia Militar, a inteligência das Forças Armadas. Todo mundo junto, Banco Central, Receita Federal, para combater também a lavagem de dinheiro, que é para onde vão os recursos das organizações criminosas", disse. Tanto Mercadante quanto Mingardi destacaram a importância de criar também em São Paulo o gabinete de gestão integrada, que já existe em outros Estados.Outro ponto ressaltado pelo senador foi a reconstrução do sistema prisional, com a retomada do controle dos presídios, o isolamento de fato dos líderes de facções criminosas e o recrudescimento da disciplina. "Nós vivemos uma situação de total perda de controle sobre o sistema prisional", disse ele. "Queremos investir mais nas penas alternativas, aumentar a disciplina e o controle dos presídios, separar os criminosos de alta periculosidade e implantar trabalho e educação. Eles (os presos) vão ter que estudar e trabalhar se quiserem ter alguma perspectiva de recuperação", comentou.A reforma do sistema, segundo o senador, incluiria também a ampliação do uso da inteligência e o incremento do controle sobre a corrupção na polícia, por meio do aumento do poder da Corregedoria. A valorização dos profissionais da área de segurança, inclusive com a criação de plano de carreira e a melhoria da remuneração dos policiais, foi outro ponto destacado entre as propostas. Mercadante disse que não faltam recursos para isso no orçamento estadual.Gabinete de criseGuaracy Mingardi citou ainda a criação de um gabinete de crise, que reuniria especialistas de várias áreas e teria uma sala de operações que centralizasse as informações e tomasse decisões em momentos de emergência. "Na última crise (ocorrida em São Paulo em maio deste ano), faltou alguém que decidisse o que fazer", disse Mingardi, lembrando que a disseminação de boatos e a falta de uma autoridade a quem os policiais pudessem se reportar de maneira unificada dificultaram a atuação das forças de segurança.Mercadante acredita que com essas medidas será possível derrotar o crime organizado. "O governo federal demonstrou que é possível fazer isso com a Polícia Federal. A PF atua em todas as áreas do território nacional e só tem 15 mil homens. São Paulo tem 35 mil homens na Polícia Civil e 88 mil na PM. Nós temos gente, temos capacidade", disse.Para Thomaz Bastos, a intenção é estender para política de segurança de São Paulo as diretrizes que, segundo ele, nortearam o trabalho da Polícia Federal no governo Lula: planejamento, inteligência e corregedoria.

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