Mercadante é evasivo sobre aloprado que o acusa

No Senado, ministro nega ligação com dossiê de 2006, mas não diz se vai processar Expedito Veloso, petista que apontou envolvimento dele no caso

Rosa Costa e Andréa Jubé Vianna / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2011 | 00h00

Apontado por um correligionário como protagonista do escândalo dos aloprados, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse ontem que somente ao final do processo judicial vai decidir se processará por calúnia e difamação o petista Expedito Veloso, que o apontou como sendo o mentor e um dos arrecadadores de dinheiro para montar a farsa.

O esquema destinou R$ 1,7 milhão na montagem de um dossiê contra o tucano José Serra, seu principal adversário na campanha de 2006 ao governo de São Paulo. "Vou tomar as medidas judiciais assim que acabar de apurar tudo o que aconteceu", afirmou o ministro na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), onde compareceu para falar sobre tecnologia.

Já ao se defender, o ministro disse que os fatos foram encerrados com a decisão do ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza de inocentá-lo. "E esse parecer foi aprovado por unanimidade por todos os ministros do Supremo", lembrou. A iniciativa de falar sobre a denúncia foi dele.

O ministro manteve sua defesa em decisões do passado e não diante da suspeita gerada pela acusação de Veloso. Ele alegou que o fato foi ressuscitado pela morte do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB), com quem Veloso, em entrevista à revista Veja, o relacionou como um dos fornecedores do dinheiro utilizado no dossiê.

"Por que não jogaram isso na campanha há oito meses, quando eu era candidato? Porque o Quércia estava vivo e desmentiria", disse. Além de reiterar várias vezes que é inocente, o ministro acusou a oposição de bancar o que chamou de "ilação e nova montagem". Também chamou a atenção seu cuidado para não entrar em confronto com os envolvidos no esquema, como é o caso de Expedito Veloso ou seu ex-coordenador de campanha, Hamilton Lacerda, "engenheiro eletrônico formado pela Unicamp". "Hamilton divulgou uma nota dizendo que eu não tinha nada com aquilo, me eximiu de toda a trama", limitou-se a dizer. Ele teve o cuidado de nem mesmo chamar Veloso, Lacerda, Jorge Lorezentti e outros envolvidos pela alcunha de "aloprados", como fez o presidente Luiz Inácio da Silva em 206.

O líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), acusou Mercadante de "impor" o assunto no Senado para "esvaziar" a investigações contra os aloprados que estão em curso na Câmara. "Essa estratégia foi anunciada com antecedência", disse. Ele apresentou três requerimentos, cujas chances de aprovação são mínimas: convocação da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, que teria participado de uma reunião no gabinete de Mercadante com os "aloprados", a ex-senadora Serys Slhessarenko, que saberia do esquema, e contra Expedito Veloso. "Não considero essa tentativa de transferir o foco para Orestes Quércia, que não está vivo. V.Exa. está vivo, muito vivo e está aqui para responder", rebateu Álvaro Dias.

Segundo o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), Veloso é um "homem importante do PT e em nenhum momento o partido falou em expulsá-lo". "Como é que o PT mantém um sujeito desse nos seus quadros", questionou.

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