Mercadante quer contratar hackers para ajudar governo

Após invasões a sites federais, ministro diz que pretende chamar ''jovens criativos'' para [br]contribuir com sua pasta

Fernando Gallo, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2011 | 00h00

Após ataques cibernéticos a portais do governo federal, o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse ontem que pretende chamar hackers para elaborar ferramentas que deem mais transparência à gestão de sua pasta.

O ministro disse querer tornar públicas informações como "gastos, decisões e fluxos" e que, para tanto, pretende chamar "jovens talentosos e criativos" para contribuir com o ministério.

"Quero chamar os hackers para ajudar a construir os indicadores e a forma de transparência, pra abrir as informações. Quero fazer do ministério uma referência do ponto de vista de acesso e de transparência nas informações", afirmou após encontro com empresários em São Paulo.

O ministro disse também que vai pedir a colaboração dos hackers para o desenvolvimento de novos sites que sua pasta deve lançar em breve.

"Estamos modernizando nossos portais e eu queria apresentar para eles opinarem, discutirem, criticarem. Eles são jovens talentosos que mudam a tecnologia o tempo inteiro e com os quais nós temos que dialogar."

Mercadante afirmou ainda que pretende promover na Ciência e Tecnologia um Hacker''s Day, evento em que cyberativistas poderão desenvolver aplicativos e outras ferramentas que contribuam para uma maior transparência da pasta - há grupos organizados da sociedade civil que promovem Hacker"s Days, mas o tema quase não existe nas esferas governamentais.

O ministro procurou diferenciar os hackers dos "crackers", pessoas que corrompem sistemas de segurança na internet de forma ilegal. Ele atribuiu a esses últimos os recentes ataques aos sistemas do governo.

"Os crackers fazem esse tipo de ataque pra ter uma mensagem política ou pelo prazer do desafio. De qualquer forma eles fazem parte da sociedade e estão presentes. Nós temos que saber nos proteger", disse o ministro.

Dano. Mercadante classificou com "muito pequeno" o dano provocado pelas invasões cibernéticas e afirmou que até agora nenhuma informação governamental relevante veio a público.

"Mas é uma experiência importante pra mostrar que temos que investir e nos preparar para ter uma estrutura de defesa mais articulada, mais eficiente."

O ministro disse ainda que as Forças Armadas e a Polícia Federal estão mobilizadas, junto com técnicos de outras áreas do governo, para ajudar a construir uma defesa virtual eficiente.

Mercadante defendeu o estudo de uma legislação para crimes cometidos na rede, mas afirmou que ela não pode restringir a liberdade na web.

"Você não pode agredir a essência da internet, que é a liberdade. A internet é o que é porque ela é livre. E a pretexto da segurança não podemos acabar com a liberdade. Primeiro porque é ineficiente tentar restringir. Segundo porque é equivocado", disse o ministro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.