Mercadante quer Suplicy em chapa puro-sangue

Vaga de vice está nas mãos do PDT, que ainda precisa dar aval à negociação

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2010 | 00h00

Setores do PT paulista articulam a formação de uma chapa puro-sangue no Estado, com o senador Eduardo Suplicy vice de Aloizio Mercadante. A hipótese, tratada com reserva entre petistas, só poderá prosperar, segundo aliados do pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, se houver o aval de todos os partidos da coligação, em especial do PDT.

A vaga de vice, até então prometida ao PDT, permanece em aberto. Se o partido concordar em cedê-la por acreditar no potencial eleitoral da dobradinha petista, a direção do PT se comprometeria a ampliar os espaços de poder dos pedetistas num eventual governo Mercadante.

Ainda que as conversas já ocorram nos bastidores dos partidos, a direção do PT condiciona o prosseguimento de negociações ao respaldo do PDT e de Suplicy.

De Munique, onde participará de um seminário de igrejas alemãs cristãs e protestantes e fará exposição sobre a Renda Básica de Cidadania, o senador Eduardo Suplicy admitiu ao Estado que foi convidado ontem pela coordenação da pré-campanha de Mercadante para uma conversa sobre a chapa puro-sangue.

"Eu fui surpreendido pela ideia. O Emídio de Souza, coordenador do Mercadante, pediu para conversarmos sobre o assunto quando eu voltar de viagem. Vou pensar até segunda-feira. Tenho que pensar muito comigo mesmo. Isso depende não apenas de mim, mas de muitas pessoas que se empenharam por meu mandato", afirmou Suplicy.

Segundo o senador, vários militantes o criticaram por não disputar com Mercadante as prévias do PT ao governo do Estado. "Pela unidade do partido, eu concordei e não insisti", disse ele. Suplicy havia se apresentado como pré-candidato ao governo de São Paulo, mas abriu mão da disputa por pressões das direções nacional e estadual do PT.

No pré-lançamento de Mercadante e Marta, em São Paulo, no entanto, Suplicy prometeu, enfaticamente, que se empenhará na campanha eleitoral dos candidatos majoritárias do PT.

Petistas acreditam que a inclusão de Suplicy na chapa poderia ter um forte apelo eleitoral, sobretudo porque a pré-candidata ao Senado na chapa é Marta Suplicy, que lidera as pesquisas de intenção de voto até o momento. Juntos, Mercadante, Suplicy e Marta são as três lideranças petistas mais populares no Estado.

Detentor de quase nove milhões de votos na eleição de 2006 ao Senado (47,8% dos votos válidos), Suplicy tem mandato até janeiro de 2015. O ingresso na chapa de Mercadante não lhe impediria de retomar o mandato parlamentar em caso de derrota.

Efeito Skaf. O PT ainda não dá como encerrada a negociação com o PSB, que quer lançar o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ao governo de São Paulo. Skaf recusa o convite para compor a chapa na vaga de vice de Mercadante.

As negociações entre PT e PSB no Estado estremeceram depois que o ex-ministro Ciro Gomes retirou-se da disputa em meio a críticas a petistas de São Paulo. O nome de Ciro para disputar o governo paulista foi articulado diretamente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas a ideia nunca foi vista com simpatia pelo próprio ex-ministro.

Paulo Skaf pressiona o PSB a levar a candidatura adiante, mas o partido enfrenta a dificuldade de compor uma aliança. Havia a expectativa dos correligionários de Skaf de que o PR seria liberado no Estado para se coligar com o PSB a partir da interferência do PT nacional. O PR, porém, já se comprometeu a apoiar Mercadante e os petistas de São Paulo não veem possibilidade de recuo nesta aliança.

Nomes do PDT. O PDT indicou alguns nomes a Mercadante para o cargo de vice, como o do ex-prefeito de Rio Preto Manoel Antunes e a sindicalista Eunice Cabral. Os prefeitos de Indaiatuba, Reinaldo Nogueira, e de Campinas, Dr. Hélio, também foram apontados como possibilidades no início da pré-campanha, mas ambos decidiram dar prosseguimento às suas administrações e declinaram do convite.

"A tendência natural é a vaga de vice ficar com partido da coligação. O direito de indicar o vice é do PDT", limitou-se a comentar o coordenador geral da campanha de Mercadante, Emídio de Souza, quando questionado sobre a chapa puro-sangue.

Segundo ele, a chapa ainda não está fechada e todas as decisões só serão tomadas se tiverem aval das siglas que compõem a coligação. O presidente do PDT no Estado, deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, havia condicionado o apoio a Mercadante ao direito de indicar o vice.

A direção estadual do PT acredita que não terá problemas em convencer o PC do B sobre as eventuais vantagens eleitorais de uma chapa puro-sangue. O partido reivindica o apoio do PT ao apresentador Netinho para a segunda vaga ao Senado.

A única possibilidade de o acerto com o PC do B azedar é se o PSB desistir da candidatura de Skaf e se empenhar no lançamento do ex-tucano Gabriel Chalita ao Senado pela chapa petista.

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