Mercadante se alia a candidato de Maluf para atacar Alckmin em debate

Líder nas pesquisas, candidato do PSDB se tornou alvo dos ataques dos adversários, em ofensiva contra os 16 anos de gestão tucana

Ana Paula Scinocca, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2010 | 00h00

Números. Mercadante e Alckmin com assessores: nas respostas de todos, muitos números sobre pedágios, escolas, polícia e estratégias para a saúde            

 

 

 

Líder isolado nas pesquisas de intenção de voto, o candidato do PSDB ao governo paulista, Geraldo Alckmin, foi o principal alvo dos outros cinco rivais que participaram ontem do debate da TV Bandeirantes.

Já na abertura do programa, Aloizio Mercadante (PT), Celso Russomanno (PP), Paulo Skaf (PSB), Paulo Bufalo (PSOL) e Fábio Feldmann (PV) fizeram duras críticas ao modo como estão sendo conduzidas as áreas da educação, saúde, segurança e transportes no Estado, há 16 anos comandado pelos tucanos. Atacado, Alckmin reclamou da aliança do "PT com o malufismo" numa referência à dobradinha entre Mercadante e Russomanno.

As críticas a Alckmin, ex-governador, começaram logo após a primeira pergunta feita pelo apresentador Boris Casoy. Ao responderem quais sãos os problemas urgentes de São Paulo e o primeiro a ser enfrentado, Russomanno citou a saúde, "onde nada funciona", a segurança que apresenta "a polícia mais mal paga do País", além da educação, "que foi destruída com a progressão continuada".

Skaf também atacou problemas de segurança e educação. Mas Paulo Bufalo, do PSOL, chamou a atenção para a dívida do Estado e propôs "uma auditoria na dívida publica". Mercadante disse que, "depois de 16 anos, as áreas mais importantes não foram equacionadas" e 43% das cidades só têm 5% do PIB do Estado. Também criticou transportes e a segurança pública e prometeu: "Quero ser o governador da educação."

Números. Em resposta a todos, Alckmin argumentou que São Paulo recuperou sua capacidade de investimento e mencionou que desde 2004 o Estado cresce acima do PIB brasileiro. Ele prometeu "avançar mais", dando seguidos números sobre a saúde no Estado. Afirmou ter posto em funcionamento 500 escolas de tempo integral e que pretende melhorar a qualidade de vida das pessoas, com destaque para a saúde.

A linha "todos contra um" foi seguida nas etapas seguintes do programa. Skaf bateu forte na questão dos pedágios e seus altos preços, ao que Alckmin rebateu enfatizando que o modelo de concessões adotado permite a São Paulo ter as melhores estradas do País. "Das dez melhores estradas do País, estão em São Paulo as dez", ressaltou o ex-governador. O tucano afirmou ainda que os acidentes nas estradas caíram 40% - e comparou com as "rodovias da morte" feitas pelo governo federal. Na réplica, Skaf disse que as concessionárias de estradas "ganham três vezes mais que os bancos". E a resposta de Alckmin foi que "o retorno das concessões é de 8%". "É impressionante a quantidade de informações erradas ditas aqui", reclamou o tucano.

Na primeira pergunta direita a Alckmin, Mercadante criticou a área da educação. O tucano rebateu com dados da queda na evasão escolar.

O petista acusou Alckmin de "defender o indefensável". Na tréplica, o tucano foi ao ataque: "Ele é ótimo para fazer crítica, mas não conheço nada que tenha feito de positivo para o Estado."

Ao fazer suas perguntas para os adversários, Alckmin também não poupou o governo federal. Na pergunta a Bufalo, disse que "o discurso do PT é muito bonito" e prosseguiu: "São Paulo é um dos poucos Estados que investem na saúde, diferente do PT, que reduziu os repasses. Nós fizemos 30 hospitais e o PT não fez uma única cama em São Paulo." Na reta final, , Mercadante negou dobradinha com o PP. Disse que Alckmin estava isolado e Russomanno cobrou respeito.

"Não conheço nada que ele (Mercadante) tenha feito de positivo para São Paulo, absolutamente nada"

Geraldo Alckmin

"A privatização mais cruel foi ter privatizado a qualidade do ensino. A classe média é obrigada a pagar o ensino"

Aloizio Mercadante

"Regulação para garantir alimentos saudáveis para a população. Essa é nossa proposta"

Fabio Feldmann

"As empresas que cobram pedágio em São Paulo ganham três vezes mais que os bancos"

Paulo Skaf

"Você anda nas ruas tranquilo? Pode contar com a segurança pública? Ou você não acredita no Estado?"

Celso Russomanno

"Eu gostaria de ter vindo de metrô pra cá, mas as obras são lentas, quando não paralisam

ou até afundam"

Paulo Búfalo

Altos...

1. Atentos ao relógio, os candidatos não estouraram o tempo. Não houve nenhuma interrupção do mediador

2. Os candidatos não demonstraram nervosismo excessivo, mesmo nos momentos de embate

...e Baixos

1. Os candidatos apresentaram uma enxurrada de números, o que pode ter confundido o telespectador

2. A maioria dos candidatos ficou focada no ataque ao governo tucano e mostrou poucas soluções e projetos

3. Várias vezes os candidatos fugiram das perguntas e deram respostas completamente fora do assunto

4. O grande número de participantes deixou o debate muito longo e em alguns momentos cansativo

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