Mercadante usa motorista do Senado

Petista diz que servidor levá-lo a compromissos de campanha não é irregular; Tuma também tem funcionários pagos pelo Legislativo em SP

Adriana Carranca, Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2010 | 00h00

Os dois senadores por São Paulo que disputam o pleito deste ano mantêm assessores pagos pelo Senado em escritórios políticos na capital paulista. Romeu Tuma (PTB-SP), candidato à reeleição, tem 15 assessores em uma casa na Vila Mariana. Aloizio Mercadante, que disputa o governo do Estado pelo PT, mantém 16 em um escritório na Vila Madalena.

Entre eles, está o motorista Alexandre Ramos Fonseca, funcionário do Senado, que tem levado o candidato aos compromissos de campanha na capital. Mercadante argumenta não haver nenhuma irregularidade no caso, pois, segundo ele, continua a atuar como senador, paralelamente aos compromissos eleitorais. "O "seu" Alexandre está comigo há 20 anos. É meu motorista desde que eu era deputado e o único funcionário que mantenho comigo na campanha, porque é uma pessoa em quem eu confio. Não vou me arriscar a andar com um motorista com quem não me sinta seguro", explicou o senador.

Segundo ele, os demais funcionários da casa trabalham exclusivamente para o Senado. O Estado tem recebido, no entanto, material de campanha da assessora de imprensa Silene dos Santos, que consta na folha de pagamento do Senado. Ontem, Silene cumpria expediente no escritório político do candidato e negou que esteja trabalhando na campanha. "Ajudei somente antes do início oficial da disputa, quando a equipe de imprensa não estava montada. Agora, tudo tem sido passado para os assessores da campanha e eu fico exclusivamente com o Senado. Nem agenda mais eu mando", disse. O último e-mail com a agenda do candidato, enviado por Silene, porém, é do dia 20 ? a campanha começou oficialmente no dia 6.

Ontem pela manhã, Mercadante estava acompanhado de outro assessor do Senado, Vagner Ferreira Pacheco. Mas, segundo o chefe de gabinete do escritório parlamentar em São Paulo, Naldo de Araújo Cardoso, o funcionário foi apenas levar documentos do Senado para Mercadante assinar. Os documentos se referem a emendas constitucionais que serão votadas no Senado terça e quarta-feira. A coordenação da campanha petista informou que o senador se afastará por dois dias dos compromissos eleitorais para ir a Brasília participar das votações na Casa. Também acompanhará a decisão no Congresso sobre o projeto do pré-sal, que será votado nos mesmos dias. "Trabalho não falta. Eu continuo senador e não há nada de ilegal em manter a minha equipe. Eu não podia demitir todo mundo", argumentou Mercadante.

Expediente. A equipe do senador Romeu Tuma, que disputa a reeleição e, assim como Mercadante, não se licenciou do cargo, também alega que o candidato acumula funções parlamentares e os compromissos de campanha. Ontem, às 15 horas, Marcelo Ferreira Chagas, um dos 15 assessores que Tuma mantém em São Paulo, dava expediente no escritório político do senador, que fica na Rua Caravelas, 537, na Vila Mariana. Chagas argumentou que não vê nada de errado no fato de Tuma ter tantos assessores fora de Brasília. "Eu fui contratado para trabalhar aqui, na base eleitoral do senador", ressaltou. E garantiu que não está fazendo campanha para o senador. "Fico aqui para ajudar a atender a prefeitos e deputados."

Chagas informa que sua função no escritório é dar suporte de informática. Ele diz que passou pouquíssimo tempo em Brasília. "Tomei posse, conheci o senador e voltei para cá, para trabalhar."

Outro assessor de Tuma, Toshiyuki Takeda, também estava no escritório político. E dois outros da lista de assessores, Antônio Aggio Júnior e Carlos Roberto Aquino, estão lotados no escritório de São Paulo, mas estavam viajando.

A assessoria de imprensa do senador enviou uma nota ao Estado. "Todas as questões levantadas pelo jornal O Estado de S. Paulo estão disponíveis no Portal da Transparência da página do Senado Federal na internet. Os funcionários listados pelo jornal prestam serviços junto ao escritório do senador em São Paulo. Ainda não foi criado o comitê eleitoral e a campanha de rua também não foi iniciada."

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