Mercado das Flores de SP enfrenta sua maior crise

O Mercado das Flores, colado ao muro do Cemitério do Araçá, na Avenida Dr. Arnaldo, está passando pela maior crise dos seus 50 anos de história. Com a popularização da Ceagesp, o movimento das banquinhas caiu 60%. Nas madrugadas de terça e sexta-feira, é no grande entreposto da Vila Leopoldina, zona oeste, que particulares, feirantes e ambulantes de todas as regiões se abastecem a preços mais convidativos. Enquanto isso, no Araçá, está difícil caçar freguês. Em dias normais, poucos carros encostam nas banquinhas. Os vendedores passam horas sem fisgar um único cliente. O local ainda tem 23 boxes, mas 2 já estão fechados. Na época áurea, em meados dos anos 80, cada um tinha, em média, 10 funcionários. Hoje, com muito esforço, empregam 5 ou 6. Também ficou no passado o hábito de ficar aberto 24 horas. Apenas seis boxes se aventuram pela madrugada. ?A Ceagesp acabou conosco. Para que comprar aqui se você pode pagar mais barato lá??, pergunta Valmício de Souza Brandão. A matemática da decadência é simples. Qualquer um pode comprar uma orquídea na Ceagesp por R$ 20. A mesma orquídea vai chegar aos mercados (que compram grandes quantidades) a R$ 25 ou R$ 30. Lá na Dr. Arnaldo, essa flor vai ser vendida por R$ 50. Duas coisas mantinham o Mercado das Flores em alta: as madames e as datas comemorativas. As madames estão terceirizando suas compras. ?Agora, quem compra são os decoradores das madames?, afirma Sócrates Gomes de Santana. Na década de 80, o Dia das Mães e Finados representavam um faturamento extraordinário. ?Tinha dono de box que com o faturamento do dia comprava um carro zero à vista. Hoje, não dá pra pagar nem uma parcela do carro velho?, diz Santana.

Agencia Estado,

01 Fevereiro 2007 | 12h54

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