Mercado de certificação cresce no Brasil

SÃO PAULO - O mercado de certificação socioambiental tem se ampliado no Brasil nos últimos anos. O selo mais procurado é o FSC ®, que certifica o bom manejo de florestas plantadas e nativas, visando ao menor impacto na floresta e à conservação de recursos naturais.

21 Setembro 2013 | 17h00

 

Também certifica a cadeia de custódia pela sua rastreabilidade e questões de saúde e segurança ocupacional na indústria, numa gama de produtos que vai de papel e madeira a óleos, sementes e cosméticos. O selo se tornou popular por ser usado em peso pela indústria de papel e celulose e estar presente, por exemplo, em embalagens, o que o torna visível a todo mundo.

 

No mundo já são mais de 180 milhões de hectares de florestas certificados FSC ® e no Brasil, mais de 7 milhões de hectares. Já as empresas com Cadeia de Custódia FSC somam mais de 20 mil certificados.

 

Além dele, há uma série de outras certificações ambientais. Para produtos agrícolas e pecuária sustentável, por exemplo, existe a certificação RAS (Rede de Agricultura Sustentável ). No ano passado, a 5.ª edição da Feira Brasil Certificado contou com 32 expositores apresentando experiências com projetos de certificação socioambiental FSC ® e RAS.

 

Roberto Smeraldi, diretor da Oscip Amigos da Terra e membro do conselho da Iseal Alliance, ONG mundial que estabelece padrões de sustentabilidade para diversas certificações, comenta que após uma fase de "infância e adolescência" dos selos, alguns deles estão entrando na vida adulta.

 

Ele define essa primeira fase como aquela em que ter um selo era entendido como uma coisa diferenciada. E esse prêmio acabava se convertendo em preços maiores. "Entendia-se que o produto certificado era de ponta, voltado para a elite, mas a indústria de papel e celulose colocou o selo num outro patamar, de que não dá mais para trabalhar sem ele", diz. "É quase uma obrigação ter, e um problema para quem não tem."

 

Isso não vale ainda para a madeira, que apesar de vir crescendo, o selo se mantém num nicho mais caro. Também é restrito para a agricultura sustentável. Mas Smeraldi diz acreditar que esse setor tem potencial para também fazer essa transformação.

 

Ele foi um dos principais defensores do movimento para certificar a pecuária - historicamente o principal motor do desmatamento da Amazônia. "Hoje, são duas fazendas em Mato Grosso certificadas pela RAS, ligada à Rainforest Alliance™, e que no Brasil é concedida pelo Imaflora, com 100 mil bois, e a carne com a certificação é vendida em algumas lojas do Carrefour. Há vários produtores candidatos a entrar. Estamos trabalhando com frigoríficos e cogitando agir de modo mais amplo." Foi a primeira certificação de pecuária do mundo.

 

Além de garantir que o produto veio de área não desmatada, a RAS também certifica sobre uma série de critérios ambientais, como a área florestal da propriedade agrícola estar de acordo com o Código Florestal (obedecendo os limites de Reserva Legal e Área de Preservação Permanente), não usar alguns produtos químicos que, mesmo autorizados por lei, causam danos ao meio ambiente e não são permitidos pela certificação, e respeitar os direitos trabalhistas. Segundo Smeraldi, outro setor que está se mobilizando é o da laranja. "Não são muitos empresários, é mais fácil se adequar."

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