Mercadoria de camelô apodrece em galpões de SP

Como destruição não acompanha ritmo de apreensões, só em 12 subprefeituras há 45 mil peças acumuladas

Ana Carolina Moreno, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2007 | 00h00

Depósitos da Prefeitura guardam 45.662 produtos apreendidos este ano de camelôs irregulares, segundo levantamento feito pela Secretaria de Coordenação de Subprefeituras a pedido da reportagem do Jornal da Tarde. Como o governo não destrói os produtos com a mesma velocidade com que os retira da rua, os galpões ficam vulneráveis a ataques de quadrilhas, como aconteceu na madrugada de domingo na Mooca. Vinte assaltantes levaram 2 toneladas de roupas, tênis, bonés, eletrônicos e tocadores de CD.O volume de apreensões, porém, é ainda maior que o divulgado pela secretaria, porque apenas 12 das 31 subprefeituras divulgaram o balanço das operações de janeiro até a primeira semana de dezembro. E não incluem CDs e DVDs pirateados recolhidos, que somaram 2.204.415 até a primeira semana de dezembro, 10% mais do que no ano passado - só a Subprefeitura da Sé apreendeu sozinha 2 milhões desses produtos. Os CDs e DVDs não entram na conta porque são encaminhados para a Polícia Federal e destruídos pela Receita.Dos 58.021 itens recolhidos com camelôs e levados aos galpões das subprefeituras, 15,2% foram doados para entidades e 6,1%, destruídos. Os 78,7% restantes permanecem nos armazéns: são roupas, tênis, bolsas, carteiras, manequins, bijuterias, botijões de gás, mesas e cadeiras.Parte das apreensões não está contada em unidades, mas em sacos de lixo de 100 litros com produtos recolhidos. São nada menos que 83.660 sacos, que ajudam a aumentar as montanhas nos depósitos.O secretário de Coordenação das Subprefeituras e subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo, reconhece que os produtos se acumulam rapidamente. "Todos os anos cresce (o volume de apreensões)." As doações são, na maioria, de alimentos. Em caso de emergência, roupas podem ser entregues a abrigos.Este ano a Subprefeitura da Sé passou a destruir alimentos em vez de doá-los. Assim, evita o risco de causar problemas de saúde a quem os consumir. E, para esvaziar seu galpão, contratou uma empresa como fiel depositária, responsável por destruir os produtos apreendidos. Mas há exceções. Em novembro, meio milhão de isqueiros da Bic foram incinerados na Basf, em Guaratinguetá. "Há uma demora grande para destruir o que foi apreendido. Estão precisando de apoio", disse o advogado Newton Vieira Junior, que representa marcas como Levi?s e Mizuno.SEGURANÇAEnquanto a Mooca estuda novas medidas de segurança para o galpão invadido, outras subprefeituras mantêm sigilo sobre sua infra-estrutura. As administrações de Vila Mariana, M?Boi Mirim, Pirituba e Perus não divulgaram o número de vigias que guardam os depósitos, por "motivos de segurança".Na Lapa, os produtos apreendidos ficam no prédio sede da subprefeitura, vigiado por vários guardas. No Jabaquara, a mercadoria fica em um depósito similar ao da Mooca, onde também funciona a Unidade de Transportes Internos. O galpão de Vila Maria-Vila Guilherme é vigiado por dois guardas. Na Sé, a sede da subprefeitura e o depósito dividem espaço com a Inspetoria da Guarda Civil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.