Mercedes usado por usineiro era clonado

A cada dia o caso do analista financeiro Carlos Alberto Araújo, morto em Ribeirão Preto pelo usineiro Alexandre Titoto torna-se mais nebuloso. Nesta quarta-feira, a polícia da cidade confirmou que o carro Mercedes-Benz, usado por Titoto para transportar Araújo até o local onde o analista seria enterrado vivo no domingo, tem placas frias e consta como roubado na cidade de São Paulo. A polícia suspeita de fraude de seguro.Em 15 de fevereiro de 2001, Araújo, dono do Mercedes, deu queixa de roubo na polícia de São Paulo, onde residia e trabalhava para um banco internacional. Mas o veículo estava com Titoto e a sua documentação atual, fria, sequer confere com as características do carro, de um modelo diferente. Titoto nega conhecimento do fato.Segundo o delegado Samuel Zanferdini, do Setor de Homicídios da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), a primeira suspeita foi quanto ao modelo do Mercedes-Benz, que, no documento, constava ser um ML-320, que é parecidocom um jipe. Mas o veículo que estava em poder de Titoto é um modelo E-420, de passeio e comprido. Com a checagem de chassi, motor e informações de uma concessionária, a polícia descobriu que existe outro carro com a mesmaplaca, CMS-0058, em São Paulo, mas regular, que pertence a uma empresa."Houve o que chamamos de dublê de placa", diz Zanferdini. Zanferdini espera as informações da polícia paulistana para contatar a seguradora e confirmar a suspeita, inclusive para incluir a apólice e a respectiva indenização, se houve, no inquérito sobre a morte de Araújo. Segundo informações anônimas, era Araújo, a vítima, quem devia dinheiro para Titoto, o principal suspeito do crime. A polícia ainda investiga a possível participação de uma ou mais pessoas na morte e na ocultação do cadáver, pois havia indícios de terra no carro, outras pegadas e até uma camisa enterrada com o corpo.Além disso, Titoto retornou ao prédio empresarial de Ribeirão Preto, onde tem uma sala, a pé, mas teria sido deixado ali perto por alguém. Avisado que a polícia chegaria, ele saiu com outro carro.O irmão de Araújo disse, na segunda-feira, que o Instituto Médico-Legal (IML) teria informado que havia terra no pulmão de Araújo, indicando que ele teria sido enterrado vivo. A direção do IML informou porém que havia terra na boca da vítima e que o atestado de óbito é a primeira conclusão (morte por asfixia mecânica causada direta e indiretamente por lesões adicionais difusas, traumatismo craniano e soterramento), mas é o laudo pericial que traráos detalhes definitivos da morte do analista financeiro.

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