Roberto Stuckert Filho/PR-14/4/2011
Roberto Stuckert Filho/PR-14/4/2011

Mercosul, próxima parada de Dilma

Paraguai e Uruguai estão na agenda de viagens internacionais; até o fim do ano, Itamaraty quer incluir passagem pela Bulgária

Lisandra Paraguassu / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

24 Abril 2011 | 00h00

Recém chegada da China, a presidente Dilma Rousseff sobe no avião presidencial em breve para novos voos diplomáticos. Nos próximos meses, devem entrar na agenda pelo menos oito viagens internacionais, que incluem desde os vizinhos do Mercosul até a Bulgária, terra de seu pai. Em quase todas, o foco é o mesmo: atrair negócios para o Brasil.

Mais ainda que seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva - que se autodenominava um "caixeiro-viajante" -, a presidente deixa claro que seu objetivo ao sair do Brasil é ampliar relacionamentos que possam fazer bem à balança comercial do País.

Para cada ação programada pelo Itamaraty, a pergunta feita por Dilma é: "E o que nós ganhamos com isso?". Na primeira fase da agenda, ela vai percorrer boa parte da América do Sul. Por enquanto, estão no horizonte visitas ao Uruguai e Paraguai, ambas em maio. Aos parceiros menores do Mercosul, o Brasil deve levar mais do que trazer.

É o caso do Uruguai, onde Dilma pretende conversar com o presidente José Mujica sobre a dificuldade dos uruguaios em atrair grandes investimentos estrangeiros. Deve entrar também na pauta um acordo de cooperação sobre agricultura e pecuária. Apesar de muito menor que o agronegócio brasileiro, a produção uruguaia supera a nossa em qualidade e em diversas áreas.

Ao Paraguai, a presidente espera entregar, finalmente, o acordo de revisão dos preços das tarifas de energia de Itaipu pagos ao país. O acordo, aprovado na semana passada pela Câmara, está no Senado. No entanto, o crescimento de 10,9% do PIB paraguaio em 2010 atiçou ainda mais o interesse brasileiro.

Ainda no primeiro semestre, a presidente deve ir ao Chile. Há em negociação hoje pelo menos quatro investimentos importantes para o Brasil, como o término da Rodovia Bioceânica - que vai de Santos ao norte do Chile, passando pela Bolívia. Faltam apenas 40 quilômetros. Há a construção do maior telescópio do mundo, no deserto do Atacama, e a possibilidade da adoção pelos chilenos do padrão nipo-brasileiro de tevê digital.

Razões sentimentais. Dilma quer ir ainda neste ano a Rússia, Turquia e Bulgária. Com os russos, o Brasil quer entrar no mercado local, ampliar exportações de produtos manufaturados e aproveitar a emergente classe média. Quer a revisão de tarifas protecionistas, especialmente em relação à carne brasileira.

Do lado político, a Rússia foi o primeiro país com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU a defender a inclusão do Brasil. Apesar de já ter garantido apoio, o governo brasileiro quer mais esforço dos russos em favor da reforma efetiva.

No segundo semestre, a presidente pode fazer uma viagem conjugada à Bulgária, terra natal do seu pai, e à Turquia, país que compartilha o desejo brasileiro de protagonismo global e que foi companheiro do Brasil na frustrada tentativa de um acordo sobre a questão do enriquecimento de urânio pelo Irã.

Antes de assumir a presidência, Dilma afirmou que não pretendia ser tão assídua nas rotas internacionais como o antecessor. No entanto, foi convencida pelos fatos. Apesar de dificilmente conseguir bater as viagens de Lula, que chegou a passar 473 dias no exterior, terá uma agenda internacional extensa.

Os fóruns internacionais a que o Brasil pertence e encontros trimestrais acertados com os presidentes da Argentina, Venezuela e Uruguai garantem milhares de milhas voadas. A intenção de ampliar o espaço econômico e político do Brasil vai exigir mais tempo fora do País.

PLANO DE VOO

Até dezembro, Dilma deve visitar pelo menos oito países

Paraguai

Provavelmente em 15 de maio. A presidente deve tratar do reajuste do pagamento pela energia de Itaipu, que ainda precisa ser aprovado pelo Senado, entre outros assuntos

Uruguai

Possivelmente em 23 de maio. Na pauta, a atração de investimentos para ajudar o país vizinho, que reclama da predominância brasileira e argentina

Venezuela

Possivelmente em 5 de julho. Assunto: Cúpula da Comunidade dos Países Latino-Americanos e Caribenhos

Estados Unidos

Viagem prevista para setembro inclui abertura da Assembleia Geral da ONU e visita de Estado

Chile

Ainda sem data prevista. Principal assunto será a construção, em parceria, do maior telescópio do mundo, no Deserto do Atacama

Rússia

Ainda sem data prevista. Prioridade é a revisão de barreiras comerciais, especialmente em relação à carne brasileira

Turquia

Ainda sem data. Parcerias políticas em temas como reforma do Conselho de Segurança da ONU

Bulgária

Sem data prevista. Interesse sentimental: visitar a terra natal do pai, Pedro Rousseff

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