Mergulhador atingido por arpão não deve ficar com sequelas

Atingido por um arpão que ele usava para pescar, mergulhador está lúcido e pai fala em 'milagre'

Fabiana Marchezi, estadao.com.br

30 de março de 2009 | 11h45

O mergulhador Emerson de Oliveira Abreu, de 36 anos, que foi operado após ser atingido na cabeça pelo próprio arpão na Baía de Guanabara, continua lúcido, tem reflexos normais e passa bem. Seu estado de saúde é estável e não há risco de morte. Contudo, não há previsão de alta e ele deve permanecer na enfermaria do Hospital Saracuruna, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, por alguns dias. Os médicos acreditam que ele não deve ter sequelas graves.

 

 

 

Ele sobreviveu sem sequelas graves a um inusitado acidente no fim de semana: foi atingido na cabeça com o arpão que usava para praticar caça submarina na Baía de Guanabara. Abreu se feriu depois de disparar o artefato, que bateu numa pedra e voltou contra sua cabeça. O arpão entrou pelo lado esquerdo do crânio e ficou alojado no cérebro. Foram cinco horas de cirurgia.

 

O caso surpreendeu até a equipe médica chefiada pelo neurocirurgião Flávio Falconetti. O diretor do hospital, o neurocirurgião Manoel Moreira, disse que Abreu teve sorte porque o arpão não atingiu partes nobres do cérebro. "Ele chegou aqui lúcido, sem déficit motor nenhum", contou. Transferido para a enfermaria, o mergulhador passou por mais exames ontem e não apresentou sinal de lesão neurológica.

"Ele não perdeu a visão por um fio", disse Moreira. "A lança passou por trás do globo ocular, perto do nervo ótico. Há muito edema na região orbital, mas ele está enxergando. Vamos esperar que ele melhore para fazer um exame oftalmológico mais apurado." Segundo o médico , o arpão passou perto da artéria que vasculariza o cérebro, a carótida. "Se ela fosse atingida, dificilmente Abreu sobreviveria."

 

O pai do mergulhador, Edilson Abreu, classificou o episódio como "um milagre". O acidente de Abreu acabou antecipando a inauguração do centro de imagem do hospital, que hoje recebe o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, para sua abertura oficial. Os equipamentos modernos produziram imagens precisas que permitiram a exata localização do arpão na cabeça do mergulhador.

O acidente aconteceu no final da manhã de sábado, quando pescava com arpão na Ilha do Governador, na zona norte da cidade. Um amigo, que o acompanhava de um barco, viu quando ele se feriu embaixo d'água e pediu socorro. Bombeiros do Grupamento de Socorro de Emergência (GSE) prestaram os primeiros socorros e levaram o mergulhador para o Hospital de Saracuruna, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, onde ele foi submetido a uma tomografia computadorizada e a uma delicada cirurgia, ainda na tarde de anteontem. O hospital é referência no procedimento.

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