Mesmo com deportações, turistas não desistem da Europa

Preços acessíveis das passagens fazem de Lisboa e Madri os destinos mais procurados pelos brasileiros

Bianca Pinto Lima, do estadao.com.br,

07 de março de 2008 | 15h25

O alto número de deportações de brasileiros na Europa não tem afetado a procura por pacotes turísticos, afirma o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem (ABAV), Carlos Alberto Amorim Ferreira. "Ninguém deixa de viajar por causa disso", diz. Em 2008, a associação prevê um crescimento de 15% na venda de pacotes internacionais e a Europa continua sendo um dos destinos mais procurados. Segundo Ferreira, Lisboa e Madri são as cidades mais requisitadas pelos brasileiros para entrar no bloco europeu, devido aos preços mais acessíveis das passagens e da proximidade com a língua falada.   Veja também: Brasileiros barrados na Espanha chegam a SP Espanhóis são barrados em Aeroporto Saiba como agir se for barrado em aeroporto Policiais chamaram brasileiros de 'cachorros' Brasil ameaça restringir entrada de espanhóis Brasil deve adotar medidas contra espanhóis?    Para o presidente da ABAV, as agências têm que ficar mais atentas e orientar melhor os turistas, apesar das exigências nem sempre serem claras. "Os governos não divulgam oficialmente tudo o que é exigido. Na europa, isso é muito aleatório, o funcionário pode desconfiar ou não da pessoa", diz Ferreira. Segundo o Itamaraty, a desconfiança sobre os reais motivos da ida ao país é motivo suficiente para não permitir a entrada do estrangeiro. Por isso, o órgão recomenda que o turista adote tom respeitoso e evite cair em contradições nos contatos que mantenha com as autoridades estrangeiras.   As agências de viagem ainda não têm um procedimento padrão a ser seguido quando o turista é deportado, segundo Ferreira. "A agência não pode ser penalizada porque não é culpada. Mas deve haver alguma forma de reembolso, pois o cliente não usufruiu dos serviços pelos quais pagou", disse ele.   Algumas prevenções, no entanto, ajudam a reduzir o risco de uma deportação. Entre elas, Ferreira sugere que o turista tenha sempre consigo dinheiro (57 euros por dia por pessoa, mínimo de 550 euros por qualquer tempo de permanência - segundo o Itamaraty), cartão de crédito, passagem de ida e volta, vouchers de hotel e cartão de assistência. "Mesmo assim, não é garantido que a pessoa vá conseguir entrar no país", diz Ferreira.   Em 2007, o Brasil foi o segundo país latino-americano que mais teve deportações na Europa. O País foi superado apenas pela Bolívia, conforme os dados preliminares da Frontex, a Agência da Europa para Fronteiras. O bloco europeu negocia medidas para tornar ainda mais difícil a entrada de estrangeiros em qualquer dos aeroportos e portos dos 27 países da União a partir deste ano. Apesar de algumas diferenças de taxas e regras de entrada, a política de imigração vale para toda a Europa - e seu endurecimento vem sendo debatido há meses.   (com Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo)

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