Mesmo com determinação judicial, greve da PM continua no Ceará

Em plena temporada, Fortaleza vive clima de insegurança com informações e boatos de assaltos

Carmem Pompeu, O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2012 | 16h59

FORTALEZA - Mesmo a Justiça determinando o retorno imediato ao trabalho, policiais militares e bombeiros mantêm a paralisação no Ceará. Nas ruas de Fortaleza, o clima é de insegurança. Lojas e o comércio de rua fecharam as portas nesta terça-feira, 3.

Na Avenida Antônio Sales, que liga a área central a Aldeota, bairro nobre da cidade, assaltantes invadiram a Padaria Luciana. Com medo o gerente do supermercado Cometa, que fica na mesma avenida, decidiu encerrar o expediente mais cedo. Repartições públicas e escolas também não funcionaram. Arrastões acontecem por toda a cidade.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Taxistas do Ceará, Vicente de Paulo Oliveira, cinco táxis foram roubados no centro. Ainda segundo ele, outros dois carros foram levados da Ceará Motor, concessionária da Volkswagen. O jornalista Thiago Cafardo relatou em seu Twitter que três colegas da redação do jornal O Povo foram assaltados ou sofreram tentativa de assalto.

Nos hotéis, turistas estão sendo orientados a permanecer apenas nas proximidades, além de não carregar documentos importantes e grande quantidade de dinheiro. Por cautela, boa parte da população optou por permanecer em casa, deixando a ensolarada Fortaleza, em plenas férias, com um clima de cidade fantasma.

Insegurança. O medo tomou uma dimensão ainda maior por conta das redes sociais, onde usuários postam uma enxurrada de ocorrências verdadeiras e falsas. Alguns internautas falam sobre supostos arrastões, mas as imagens usadas por eles são de episódios ocorridos no Rio de Janeiro.

O representante do Exército no Ceará, coronel Medeiros Filho, afirma que há na verdade uma sensação de insegurança. Ele informou que está sendo aguardada a chegada de mais dois mil homens da Força de Segurança Nacional, que desde o início do movimento tenta manter a ordem no Ceará. O governo cearense informou que 159 viaturas da Força Nacional estão em ação no Estado e até amanhã este número será elevado para 184.

Volta ao trabalho. O presidente da Associação dos Praças PMs e Bombeiros, Pedro Queiroz, disse que as representações dos militares ainda não foram notificadas sobre a decisão judicial que decretou a ilegalidade da paralisação e a desocupação dos prédios onde os manifestantes encontram-se aquartelados.

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado informou que vai adotar medidas para que a liminar seja cumprida. O impasse é com relação à anistia aos PMs e Bombeiros Militares, categorias proibidas de fazer greve. O Comandante da 10ª Região Militar, general Gomes de Mattos, não descarta um confronto com os manifestantes aquartelados na 6ª Companhia do 5º Batalhão da PM, no bairro Antônio Bezerra.

Gomes de Mattos disse que cabe ao Governo do Estado entrar em acordo com os manifestantes para dar fim ao movimento. Ele garantiu que há um planejamento pronto para a retomada das instalações e das viaturas e que aguarda ordens superiores para colocá-lo em prática. "Ordem dada, missão cumprida", afirmou o comandante.

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