Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Mesmo com Exército nas ruas, população permanece em casa no ES

Sem transporte coletivo e com aulas suspensas, poucas pessoas são vistas na Grande Vitória; de licença médica, governador deve se pronunciar nesta quarta

Marcio Dolzan, Enviado especial de O Estado de S. Paulo

08 Fevereiro 2017 | 09h46
Atualizado 08 Fevereiro 2017 | 09h54

VITÓRIA - No quinto dia de paralisação da Polícia Militar no Espírito Santo, o movimento ainda é pequeno nas ruas de Vitória na manhã desta quarta-feira, 8. Sem transporte público e com as aulas suspensos, poucas pessoas são vistas nas calçadas. Assustadas com a violência, as famílias preferem se trancar em casa. O patrulhamento na capital capixaba, que desde a noite de segunda-feira, 6, é feito por soldados do Exército, também é pequeno. O comércio na região vai sendo retomado aos poucos.

A reportagem do Estado percorreu cerca de oito quilômetros entre Vitória e Vila Velha por volta das 8h30 desta quarta-feira e avistou patrulhas do Exército apenas na Praia da Costa, na região próxima à residência oficial do governador, Paulo Hartung (sem partido). Agentes da Força Nacional de Segurança, que chegaram ao Espírito Santo nesta terça-feira, 7, não foram vistos no trajeto.

Paulo Hartung está de licença médica, mas a expectativa é de que ele se pronuncie nesta quarta-feira. O governador se operou em São Paulo na última sexta-feira, 3, no Hospital Sírio-Libanês para a retirada de um tumor na bexiga. Ele voltou a Vitória nesta terça-feira.

Por meio de suas famílias, os PMs continuam tentando negociar com o governo a volta ao trabalho. Nesta quarta-feira, deve haver nova reunião entre as partes. O governo sustenta que não vai negociar enquanto os PMs não voltarem a seus postos. 

A categoria reivindica reajuste salarial e denuncia falta de pagamento de auxílio-alimentação, adicional noturno e por periculosidade, além de más condições da frota de veículos empregada no patrulhamento. Familiares de PMs seguem posicionados na frente de batalhões na Grande Vitória e em cidades do interior para impedir a saída dos PMs e de carros.

A sensação de insegurança é grande, e os cidadãos se dizem reféns dos criminosos. O número oficial de mortos supera 75. Nas redes sociais, há relatos de vizinhos que contrataram segurança armada para seus prédios, como forma de afastar assaltantes. 

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