Mesmo com medida, trânsito afetou bairros

Ruas internas calmas viram rotas alternativas para fugir do movimento das grandes avenidas

BRUNO PAES MANSO, O Estadao de S.Paulo

01 de abril de 2009 | 00h00

Os Jardins América, Europa, Paulista e Paulistano, na zona sul, foram tombados pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental de São Paulo (Conpresp). Assim como Pacaembu e City Lapa, foram urbanizados pela Companhia City, a partir de projeto urbanístico do renomado urbanista inglês Barry Parker.Se a preservação das calçadas largas, dos grandes lotes e das ruas arborizadas garantiu áreas permeáveis à chuva que evitam enchentes e uma vegetação capaz de diminuir a intensidade do calor no bairro, o crescimento descontrolado da metrópole não impediu que o trânsito intenso atrapalhasse a qualidade de vida dos moradores dos Jardins. "As ruas internas do bairro acabaram virando rotas alternativas para quem quer fugir do trânsito intenso da Avenidas Brasil, Rebouças. É duro viver na região na hora do rush", avalia o arquiteto e urbanista Cândido Malta.Ele acredita que a solução para diminuir o trânsito no local são os micro-ônibus, para interligar metrô e trens entre as Avenidas Paulista e Faria Lima, ideia que defende há tempos. "É importante criar alternativas para que o habitante deixe o carro em casa. Um transporte coletivo adequado, capaz de transitar nas partes internas do bairro, pode ser uma boa solução."A arquiteta e urbanista Lucila Lacreta, coordenadora do Defenda São Paulo, acha que a criação de bolsões de trânsito, instrumento urbanístico previsto no Plano Diretor Estratégico, também devem ser adotados para diminuir a circulação de carros na região. Colocar barreiras em ruas que dão acesso à parte interna dos Jardins, por exemplo, para evitar que o bairro vire rota de fuga, é uma das intervenções sugeridas por ela. "É necessário que a Prefeitura tome alguma medida para diminuir a grande quantidade de carros nos Jardins." Ela afirma, contudo, que o meio ambiente sempre saiu ganhando nos tombamentos realizados pelo Conpresp. "As ilhas de calor são um problema grave. Manter a densidade das matas dos bairros pode diminuir em até 10°C o nível de calor de uma região. Sem falar que as áreas permeáveis garante menos enchente."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.