Mesmo com menos chuva, alagamentos não diminuem no Rio

Temporais que atingiram o Estado na última semana deixaram três mortos e mais de 30 mil pessoas desalojadas

Alessandra Saraiva e Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo,

21 de dezembro de 2008 | 17h37

A chuva deu uma trégua neste domingo, 21, mas, mesmo assim, o alagamento das regiões norte e noroeste do Estado do Rio não diminuiu e há perspectivas de piora nos próximos dias. Os temporais que atingiram o Estado na última semana e que deixaram três mortos, mais de 30 mil pessoas desalojadas e duas mil pessoas desabrigadas, foram tão intensos que arrebentaram diques da região, elevando o nível dos rios e deixando bairros completamente embaixo d'água. "Tem muitos diques sendo destruídos. Não há nem como contabilizar", alertou o comandante da Defesa Civil do município Campos dos Goytacazes, Henrique Oliveira. Veja também: Inpe prevê elevação de temperatura no Rio e no ESCrianças morrem afogadas devido às chuvas que atingem o Rio Temporais matam 3 no Rio e ameaçam saúde pública Campos é uma das 12 cidades que permanecem em estado de emergência, segundo a Defesa Civil Estadual. Oliveira explicou que o nível do rio Paraíba do Sul, que corta a maioria dos municípios da região, diminuiu de 10,6 metros para 9,9 metros , de sábado para domingo, mas isso não aliviou a inundação.  Diques de pequenas fazendas, construídos por proprietários para desviar o curso dos rios, agora são a principal preocupação dos órgãos de Defesa Civil das cidades. "Um córrego no rio Onça transbordou completamente; tem muitas localidades embaixo d'água", afirmou. Campos está sendo atingida pelas águas do rio Muriaé, afluente do rio Paraíba, cuja enchente está sendo agravada pelo rompimento dos diques. Para o comandante, não há como fazer barreiras para impedir o aumento do nível das águas.  "Temos famílias com casas completamente alagadas e esperando em cima das lajes por socorro. O que nos resta agora é resgatá-las com a ajuda dos helicópteros", afirmou. O governador do Estado do Rio, Sergio Cabral, anunciou que será montado um hospital de campanha no município de Cardoso Moreira, uma das cidades mais atingidas pelas chuvas que assolaram o estado na última semana e que permanece em estado de calamidade pública.  Quatro helicópteros, oito barcos e 350 homens do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil trabalham na ajuda e resgate das famílias. A Defesa Civil estadual fez um apelo ontem para que a população doe água potável para os municípios atingidos pelas enchentes. A Marinha confirmou ontem, por meio de nota, apoio às localidades com o emprego de dois helicópteros, dez embarcações de casco rígido e quatro caminhões de cinco toneladas, apropriados para o trânsito em terrenos alagados. Previsão O coordenador do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Rio, Luiz Carlos Austin, não descartou novas temporais nos próximos dias. Embora o tempo tenha apresentado zonas de mormaço em algumas praias ontem, na cidade do Rio, ele lembrou que domingo foi o primeiro dia do verão, época do ano conhecida por "pancadas de chuvas".  "Devemos ter nossa atenção redobrada quanto ao tempo", afirmou. De acordo com a previsão do Inmet, apesar da pequena melhora do tempo, ainda há previsão de pancadas de chuvas , por causa da Zona de Convergência do Atlântico Sul que permanece sobre estado. "Estamos com uma zona de instabilidade sobre o sudeste que provoca essas pancadas, alternando com momentos em que o sol aparece", explicou o meteorologista Almerindo Marinho.  Ontem, o céu estava encoberto na Região Metropolitana e em boa parte do Estado. Segundo Marinho, o tempo só deve melhorar depois do Natal. Ontem, o dia ficou nublado, mas o calor incentivou a ida de alguns banhistas à orla, mas a praias não ficaram cheias. Marinha A Marinha do Brasil divulgou nota em que confirma a realização de uma operação de apoio à Defesa Civil do estado no atendimento às vítimas das enchentes na região noroeste fluminense. A ajuda da Marinha já havia sido anunciada na sexta-feira, 19, pela assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil. De acordo com a nota, as ações serão realizadas nas cidades mais atingidas da região, com o emprego de dois helicópteros, dez embarcações de casco rígido e quatro caminhões de cinco toneladas, apropriados para o trânsito em terrenos alagados. O apoio à Defesa Civil será de transporte de pessoal e material, além do resgate de pessoas. Segundo a Marinha, não há data prevista para o término da operação, já iniciada com o deslocamento dos militares e dos equipamentos.  (Com Agência Brasil)

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.