Mesmo ''light'', teste reprova mais motos

Caso seguisse norma de carros, ''a gente reprovaria 80%'', diz diretor

Fábio Mazzitelli, O Estadao de S.Paulo

03 Fevereiro 2009 | 00h00

Das 451 inspeções ambientais realizadas em carros e motos ontem, primeiro dia de funcionamento do programa paulistano em 2009, só 32 veículos foram reprovados, ou 6,75% do total de testes. Só que 22,91% das motos (11 de 48) foram reprovadas e o número poderia ser ainda maior se a Prefeitura não tivesse optado por uma inspeção light desse veículo, levando em conta a emissão só de um poluente.A Prefeitura decidiu realizar apenas a medição de monóxido de carbono (CO) pelas motos, desprezando o índice de hidrocarbonetos (HC) no teste. No caso dos carros, a emissão dos dois gases poluentes é levada em consideração. "Se fôssemos levar em conta toda a emissão (incluindo os hidrocarbonetos), reprovaria 80% das motos. Aí não funcionaria (o programa), seria um caos", admite o diretor-executivo da Controlar, Eduardo Rosin. "A gente começa e, com o tempo, vai sendo mais severo", afirma o diretor da Controlar.Em nota, a secretaria informou que utilizou como parâmetros para definir o teste de motos normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente e do Programa de Controle da Poluição do Ar por Motocicletas da Cetesb. "Precisa de um levantamento de campo no primeiro ano para que você tenha dados para futuros índices", diz o gerente da Divisão de Engenharia e Fiscalização de Veículos da Cetesb, Homero Carvalho.A inclusão de toda a frota de motos (cerca de 770 mil) é tida pelo secretário Eduardo Jorge, do Verde e Meio Ambiente, como a principal conquista do programa de inspeção ambiental neste ano. "Uma moto pequena polui por quatro ou cinco carros. Os carros brasileiros passaram por um processo de modernização há mais de dez anos. As motos, não."SEM INSPEÇÃOO advogado Júlio César Lara Garcia, de 46 anos, chegou ontem, por volta das 15 horas, ao posto de inspeção da Barra Funda. Ao entrar na linha de atendimento, descobriu que não seria possível avaliar sua Suzuki GSX 1300. "Como ela é toda carenada (fechada), eles não conseguem fazer a medição da rotação do motor. O equipamento não consegue aferir e disseram que eu não podia fazer o teste hoje", diz Garcia. "Falaram que iam ver o equipamento e me ligar para agendar. Perdi um dia de trabalho, mas pelo menos se retrataram."Segundo a Controlar, foram dois os casos de proprietários de motos que não conseguiram fazer a inspeção ontem, por causa das motos de mais de mil cilindradas. "A gente verifica se a marcha lenta da moto está estável pelo medidor de rotação, por indução. Em alguns modelos, pode existir dificuldade na medição", diz Eduardo Rosin.

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