Mesmo presos, Beira-Mar e Léo ainda controlam tráfico

Apesar de presos, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e Leonardo Dias Mendonça, o Léo, continuam sendo os dois maiores traficantes do Brasil. Segundo a Polícia Federal, os dois ainda atuam por intermédio de comparsas.Beira-Mar já nomeou um sucessor no Rio, onde tem sua base, e Léo mantém um grupo aliado no Suriname, país por onde iniciou uma nova rota de tráfico de cocaína para os Estados Unidos e Europa.Informes da PF indicam que Beira-Mar negocia hoje mais com maconha e que seu principal fornecedor fica no Paraguai, de onde também traficou armas, há algum tempo. Além disso, o traficante fluminense teria comprado uma fazenda na Bolívia, onde produziria a droga. Já Léo, apesar de estar preso em Goiânia e prestes a ser transferido para Brasília, mantém pelo menos quatro pessoas sob seu comando negociando armas e drogas com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).Quem também ainda pode estar atuando no tráfico é Hélder Dias Mendonça, o Segundo, irmão de Léo que está preso no Suriname e teria facilidade para manter contato com o narcotráfico. Segundo estaria atuando no Centro-Oeste, parte do interior paulista, Pará e Triângulo Mineiro. Beira-Mar teria "negócios" no Rio, Espírito Santo e região central de Minas."A Operação Diamante foi um forte golpe no narcotráfico", afirma o coordenador-geral de Repressão a Entorpecentes da PF, Getúlio Bezerra, referindo-se à investigação que agentes federais fizeram durante três anos e que resultou na prisão dos traficantes. Beira-Mar, que já não domina sozinho a entrada da droga vinda do Paraguai, também teve o poder diminuído por causa de uma grande apreensão de maconha feita no Rio.Seu principal adversário é Líder Cabral, um dos maiores traficantes paraguaios. Ainda assim, Beira-Mar mantém certo poder. O esquema teria sido armado antes de seu confinamento na penitenciária de Presidente Bernardes e, agora, na superintendência da PF de Maceió.Segundo agentes federais, ele teria nomeado seus sucessores de forma hierárquica. Léo e Beira-Mar não têm contato direto com a droga que vendem. Foi esses um dos motivos pelo qual a PF demorou vários anos para chegar a Léo. "Eles têm gerentes, o que evita que se sujeitem a flagrantes", disse um delegado.A repressão ao tráfico e às prisões de Léo e Beira-Mar não inibiram o narcotráfico. Investigações da Polícia Federal indicam que parte das 60 toneladas de cocaína que a Colômbia produz mensalmente continua entrando no Brasil, mas utilizando novas rotas que passam por Rondônia, pelo Acre e por Mato Grosso, por causa das fronteiras desabitadas e praticamente formadas só por florestas.Até então, as rotas mais utilizadas eram o Estado do Amazonas, por meio de traficantes chamados "formiguinhas", que transportam pequenas quantidades de cocaína pelos rios, ou em grandes volumes, por via aérea. Pelo Sul, o tráfico de maconha, principalmente, era feito na fronteira com o Paraguai, mas operações realizadas nestas na regiões interromperam o fluxo do tráfico.Atualmente, praticamente toda a cocaína que chega aos grandes centros do País vem dos territórios dominados pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Veja o especial:

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