'Mesmos vereadores vão ser eleitos novamente para CPI', diz presidente da Câmara do Rio

Jorge Felippe deu a declaração ao comentar protestos da oposição e de manifestantes para anular sessão que escolheu membros de comissão que investigará o transporte público

Clarice Cudischevitch, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2013 | 15h18

RIO - O presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Jorge Felippe (PMDB), afirmou que o máximo que pode acontecer em relação à CPI dos Ônibus é a sessão inaugural, que aconteceu na sexta-feira, 9, ser anulada. "Havendo a anulação, acontecerá outra votação e os mesmos vereadores vão ser eleitos novamente", comentou, fazendo referência aos protestos contra a permanência de Chiquinho Brazão (PMDB) e Prof. Uóston (PMDB) na presidência e relatoria da comissão. A oposição pretende entrar com ação civil para anular a eleição dos membros da CPI.

O presidente da casa está reunido com dez manifestantes que ocupam o Palácio Pedro Ernesto desde sexta-feira. Nenhum veículo de imprensa - nem mesmo da própria Câmara - foi autorizado a presenciar a conversa, que acontece em um auditório a portas fechadas.

Mais cedo, uma coletiva de imprensa de cerca de uma hora gerou discussão entre manifestantes de dentro e de fora da Câmara Municipal e repórteres. A conversa aconteceu através da entrada principal da casa, que tem portões enviesados.

Os ativistas que ocupam o Palácio Pedro Ernesto desde sexta-feira criticaram a imprensa. Um dos manifestantes, que não quis se identificar, estava se curando de uma infecção pulmonar quando se juntou à ocupação, mas seu estado acabou piorando. Ele conta que, mesmo com febre, chegou a ficar sem remédio porque não permitiram inicialmente a entrada do medicamento. Já Joia Diva, de 57 anos, está passando por um problema gastrointestinal, mas não teve problemas em obter a medicação levada por sua filha. "Não optei por ir embora em nenhum momento."

Durante a coletiva, os manifestantes afirmaram que não vão mais aceitar a manipulação promovida pela "grande mídia". "Os jornalistas dizem que são rechaçados, mas nós somos rechaçados o tempo todo", disse uma ativista. "A imprensa deve mudar e ir conquistando nossa confiança aos poucos." Os manifestantes ressaltaram que não querem ser inimigos dos jornalistas, e sim convidá-los para o debate. "É por isso que organizamos esta coletiva", disseram.

Entre as reivindicações do grupo, estão a anulação da sessão de instalação da CPI dos Ônibus, a renúncia dos membros que não assinaram o requerimento da comissão, e que esta seja presidida pelo vereador que a propôs, Eliomar Coelho (PSOL). Pedem também que as reuniões sejam programadas e divulgadas com antecedência e que tenham participação popular irrestrita. "É preciso entender que, quanto mais demorarem a agir, mais gente adere ao movimento e mais pautas vão surgindo", comentou Ciro Oiticica, que ocupa o prédio desde sexta.

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