Meta de erradicar pobreza extrema depende da economia

Também compromisso de campanha de Dilma, objetivo de eliminar o analfabetismo não será atingido sob seu governo

, O Estado de S.Paulo

10 Abril 2011 | 00h00

OSASCO

A meta de erradicar a miséria no País até 2014 está mantida no plano, em preparação no governo, que detalha um dos principais compromissos de campanha de Dilma Rousseff. Para sair do papel, contudo, vai depender não apenas das medidas adotadas, mas sobretudo do ritmo de crescimento da economia.

No fim de março, a presidente declarou que seus quatro anos de mandato poderiam não ser suficientes para cumprir integralmente a meta.

O Bolsa Família considera miseráveis as famílias com renda de até R$ 70 mensais por pessoa. Por esse critério, há cerca de 5 milhões de famílias vivendo em pobreza extrema entre os beneficiários do programa. Também há miseráveis que não fazem parte do Bolsa Família.

Outro compromisso de campanha de Dilma, exibido no endereço eletrônico da Presidência da República, dificilmente sairá do papel: a erradicação do analfabetismo. O problema atinge cerca de 10% da população com mais de 15 anos. Mais de 14 milhões de pessoas não sabem ler nem escrever um bilhete simples.

Especialistas em educação do próprio governo acham possível, num cenário otimista, uma redução em até 2 pontos porcentuais do analfabetismo até 2014 e contam com os resultados do censo para uma nova contabilidade do problema. Bahia e São Paulo são os Estados que lideram o ranking do analfabetismo no País. A redução do número de analfabetos foi pequena durante o governo Lula, indicam os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

Dilma prometeu "ampla mobilização, envolvendo poderes públicos e sociedade civil para que o analfabetismo seja erradicado".

Em relação à erradicação da extrema pobreza, o reajuste dos benefícios do Bolsa Família anunciado no início de março teria contribuído para a redução em 10% do número de famílias consideradas miseráveis que recebem os pagamentos mensais - cerca de 500 mil famílias, segundo estimativa do governo.

O benefício básico, pago às famílias com renda de até R$ 70 por pessoa, aumentou 2,9%, de R$ 68 para R$ 70. A parcela paga de acordo com o número de filhos até 15 anos subiu 45,5%, de R$ 22 para R$ 32. No benefício médio, a correção foi de 19,4%, acima da inflação acumulada (9,9%) desde o último reajuste, concedido em 2009.

Renda e educação

5 milhões

de famílias beneficiadas pelo programa Bolsa Família vivem na pobreza extrema, com rendimento de até R$ 70 mensais por pessoa

10%

da população com mais de 15 anos de idade é analfabeta

14 milhões

de pessoas não sabem ler nem escrever um bilhete simples

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