Metade dos vôos da Gol atrasa

Índice de operações fora do horário no País era de 51% às 22 horas

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

23 de dezembro de 2008 | 00h00

A Gol voltou ontem a liderar o ranking de atrasos em vôos no País, com índice de 51% às 22 horas. As dificuldades operacionais da empresa começaram na manhã de sábado e provocaram transtornos nos principais aeroportos do País, sobretudo em Brasília. Para o ministro da Defesa, Nelson Jobim, a companhia sofre os efeitos da demissão de funcionários. "A empresa teve um problema com corte de funcionários, que agora estão fazendo falta", afirmou ontem, descartando overbooking (venda de passagens acima do limite dos aviões).No fim de semana, a empresa aérea apresentou duas justificativas para o alto índice de atraso. No sábado, teria sido prejudicada por uma pane no sistema de controle de despacho, solucionada no início da tarde. No dia seguinte, sem conseguir reverter o alto número de partidas fora do horário previsto, alegou ter tido problemas com uma das esteiras de bagagens do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos.Essa versão foi desmentida no início da tarde de domingo pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). A estatal negou qualquer problema com as esteiras de bagagens em Cumbica, disse que a Gol apresentou lentidão em seu sistema e número reduzido de pessoal nos balcões de check-in. Sugeriu ainda que a empresa treinasse melhor os funcionários.Em nota oficial, a Gol informou que os "problemas pontuais ocorridos nos dias 20 e 21 de dezembro, responsáveis pelos atrasos em vôos ao longo de sua malha aérea, já estão completamente solucionados". Por fim, disse que a expectativa era de normalização das operações ainda ontem. Embora a companhia atribua os atrasos dos últimos dias a panes em equipamentos, desde o mês passado enfrenta dificuldades operacionais. Foi quando começou a fusão das malhas aéreas, tripulações e frotas da Gol e da Varig. Ontem, o índice de atrasos da Varig era de 45,4% às 22 horas.Os primeiros indícios de problemas surgiram no balanço de atrasos e cancelamentos divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em novembro, o índice médio de atrasos no País foi de 16,6% - 4,1% maior do que em outubro. O aumento, segundo a Anac, foi impulsionado por Gol e Varig, que tiveram, respectivamente, 21,1% e 24,2% de atrasos. Em outubro, os índices haviam sido bem menores - 15,3% da Varig e 13,4% da Gol. Desde sexta-feira, técnicos e fiscais da agência estão no Departamento Operacional da Gol para acompanhar de perto a situação da companhia.BALANÇODos 1.943 vôos programados entre zero e 22 horas de ontem, 613 (31,5%) decolaram ou pousaram com atraso superior a 30 minutos, segundo balanço da Infraero. Pelo terceiro dia consecutivo, o Aeroporto Juscelino Kubitschek, em Brasília, apresentou o porcentual mais elevado - 35,4%, às 20 horas. Apesar de não ter enfrentado problemas meteorológicos nem técnicos, o terminal tem concentrado escalas e conexões de vôos com origem ou destino em capitais das Regiões Norte e Nordeste.Em Cumbica, das 227 operações programadas até 22 horas, 63 ocorreram fora do horário marcado (27,8%) e 6 foram canceladas (2,6%). Já no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, 97 dos 253 vôos previstos atrasaram (38,3%) e 27 foram cancelados (10,7%). O terminal permaneceu fechado ontem por 1h25 por causa da chuva.Enquanto os mais movimentados aeroportos do País sofreram com os atrasos, Viracopos, em Campinas, teve movimento tranqüilo. Apenas um vôo da Gol vindo de Curitiba pousou fora do horário. Ainda assim, o terminal continua sendo preterido pelos passageiros da capital. Perto de duas rodovias de acesso a São Paulo - Anhangüera e Bandeirantes -, acaba sendo mais utilizado por moradores da região.O empresário Luiz Carlos Moraes, de 54 anos, disse ter indicado o aeroporto como alternativa para a filha, que ontem precisava chegar à capital, onde mora. "Sugeri que usasse o aeroporto de Campinas para voltar de Brasília. Tem até a possibilidade de vir por vôos que param na capital para conexões com Campinas. Como é semana de Natal, eu poderia levá-la para São Paulo de carro", afirmou. "Falta infra-estrutura para esses passageiros que poderiam chegar de avião a Campinas e ir pela rodovia até a capital."

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