''Metralharam meu filho'', afirma pai de rapaz

Luiz Carlos Martins acredita que André tentou fugir por estar sem carteira de motorista

Evandro Fadel, O Estadao de S.Paulo

29 de julho de 2008 | 00h00

A família de André está revoltada com a polícia de Massachusetts. "Eles teriam outros mecanismos para parar ou punir", disse o pai de André, o PM da reserva Luiz Carlos de Castro Martins, que mora em Cianorte, noroeste do Paraná. André estava nos Estados Unidos desde 2001, quando entrou com visto de turista. Atualmente, vivia de forma ilegal no país, apesar de ter dois filhos, de 2 e 6 anos, de nacionalidade americana - a mãe é a brasileira Camila Campos, no país há cerca de 20 anos, com quem André pretendia se casar no fim do ano. Os dois tinham saído de um restaurante quando a polícia tentou pará-los. Em vez de parar, André teria acelerado. Segundo as informações passadas à família, houve uma perseguição rápida, quando o carro dirigido pelo jovem bateu contra o da polícia, que atirou. O pai crê que o filho, que trabalhava com pintura de paredes, tentou fugir por estar sem carteira de habilitação. "Mas eles (policiais) tinham todos os mecanismos para atirar nos pneus do veículo. Lá, a placa do veículo é da própria pessoa, poderiam ter ido atrás dele e feito a prisão com ordem do juiz", reforçou. "Metralharam meu filho." Segundo ele, a futura nora deve entrar em contato com advogados para analisar a possibilidade de ação judicial. A moça não se machucou.O pai disse que recebeu um telefonema de um policial. Ele lhe disse que o tiro que matou André atingiu o peito. A morte foi confirmada assim que o rapaz deu entrada no Hospital Cape Cod, em Hyannis. "Ainda não tenho todas as informações, mas gosto da verdade e quero saber o que aconteceu", disse Luiz Carlos. Ontem, os familiares ainda não tinham decidido onde seria o sepultamento. "A mãe, os amigos, nós queremos que seja aqui, mas a mulher dele quer que seja lá, onde moram os filhos, por isso não está nada resolvido", acentuou. A última vez que Luiz viu o filho foi em 2002, quando esteve nos Estados Unidos. Depois disso, as conversas passaram a ser por telefone. A Assessoria de Imprensa do Ministério das Relações Exteriores informou que o consulado está acompanhando o caso e prestando a assistência necessária à família.

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