Metrô: bombeiros resgatam motorista de caminhão

Bombeiros resgataram com vida o motorista de um dos caminhões que caiu na cratera de cerca de 80 metros de diâmetro e 30 de profundidade, que foi aberta depois do desabamento nas obras de construção da estação Pinheiros da Linha 4-Amarela do Metrô, na Marginal dos Pinheiros, zona oeste de São Paulo, de acordo com informações da Rádio Eldorado AM. O resgate teria ocorrido por volta das 20 horas desta sexta-feira, mas ainda não há detalhes sobre o estado de saúde dele. No início da noite, o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, assumiu a possibilidade de haver ao menos uma vítima fatal no desambamento. Ele também admitiu que há, ao menos, quatro pessoas com ferimentos decorrentes do acidente. Segundo ele, as pessoas ou famílias que tiverem problemas e transtornos serão eventualmente indenizadas pela seguradora da obra, a Unibanco AIG.O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, disse que a Prefeitura está à disposição dos moradores e das vítimas do acidente, mas também eximiu-se de responsabilidade de indenizações, ressaltando que os pagamentos serão feitos pela seguradora.Oficialmente, o secretário disse ter sido informado de que nenhuma lotação caiu dentro da cratera. Ele reconhece, entretanto, que a Transcooper perdeu o veículo na região, conforme informação do GPS do veículo, e ressaltou que os bombeiros continuam as buscas. Ele disse não ter informações a respeito das investigações que a Promotoria do Ministério Público abriu a respeito do acidente e sobre denúncias feitas anteriormente, também pelo MP, sobre outros incidentes já ocorridos na obra. De acordo com o secretário, somente estudos dos engenheiros responsáveis poderão indicar se as obras sofrerão atraso.InvestigaçõesO vereador Adilson Amadeu (PMDB), presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica da Câmara de Vereadores de São Paulo, disse que as investigações do Ministério Público serão analisadas pela Câmara. Além disso, ele prometeu que entrará com um requerimento técnico a respeito do acidente dentro da Câmara de Vereadores.De acordo com o corretor e consultor de seguros Hercules Fornero, a seguradora da obra terá que cobrir não somente os prejuízos da construção como também todos os reflexos causados pelo sinistro. "Se ficar comprovado que não houve má-fé, negligência ou qualquer outro erro voluntário, a seguradora deverá cobrir", ressaltou. Neste caso, segundo o consultor, entram, entre outros danos, as famílias desabrigadas e possíveis vítimas fatais. "Nesta obra, por exemplo, que passa por dentro da zona urbana, a seguradora sabe desde o início das possibilidades deste risco", avaliou.Segundo Fornero, uma apólice desta ordem que envolve cinco empreiteiras - no caso desta obra, Camargo Corrêa, Odebrecht, Queiroz Galvão, Andrade e OAS - certamente não é segurada apenas no mercado brasileiro. "Uma seguradora não tem capacidade para assumir um risco deste volume. Um sinistro deste porte pode quebrar uma seguradora se ela assume sozinha", afirmou. "Certamente a Unibanco AIG não está sozinha nesta apólice. Uma obra desta ordem é pulverizada entre outras seguradoras no mercado externo e interno".Segundo o consultor, a indenização neste caso fica de acordo com o capital segurado e depende da forma como foi feito o contrato. "Quando se contrata o seguro, o segurado determina a contratação de verbas e coberturas", explicou, lembrando que toda indenização é realizada até o limite da importância assegurada. E acrescentou: "Em uma apólice bem contratada ninguém tem prejuízo". Procurada pela reportagem, a Unibanco AIG informou que não iria se manifestar.Colaborou Wellington Carvalho

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