Metrô cobra Via Amarela por erro

Túneis que tinham de se encontrar na Linha 4 estavam 80 cm desalinhados; correção não vai alterar calendário

Gustavo Miranda, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2020 | 00h00

O Metrô pretende estudar uma medida judicial para tomar providências contra o Consórcio Via Amarela pelo desalinhamento de 80 centímetros no encontro dos túneis de ligação das futuras estações São Paulo/Morumbi e Butantã, na Linha 4 (Amarela). O consórcio afirmou ontem, em nota, que as causas estão sendo apuradas e admitiu que o desalinhamento pode ter sido causado por falha em equipamentos. O Metrô só vai divulgar quais providências tomará após ser informado sobre as causas do desalinhamento. Segundo o presidente da empresa, José Jorge Fagali, o departamento jurídico da companhia está estudando as medidas e as providências que devem ser tomadas para prevenir outros erros. ''''Essa falha é de baixo impacto. Não vai mexer no cronograma nem no orçamento da obra. O que queremos é que esse tipo de erro não aconteça e só vamos conseguir isso identificando os responsáveis.'''' O desalinhamento foi divulgado ontem pelo jornal Folha de S. Paulo. Especialistas ouvidos pelo Estado também criticaram a falha e disseram que o problema está longe dos padrões aceitáveis na engenharia moderna - que trabalha com projetos computadorizados e equipamentos de alta precisão. ''''Um desvio aceitável seria em torno de 5 ou 10 centímetros'''', explicou Roberto Kochen, do Instituto de Engenharia. O Estado apurou que o consórcio trabalha com a hipótese de distorção topográfica causada por interferências nos equipamentos. Como eles são de alta precisão, se caem no chão podem perder marcações. Em nota, o consórcio defende-se dizendo que ''''esses equipamentos são eletrônicos e de última tecnologia, e são aferidos anualmente, conforme procedimento aprovado pelo Metrô.'''' A nota diz também que o desalinhamento é de fácil correção, a ser executada na seqüência dos trabalhos. Outra hipótese que é levada em consideração pelo consórcio é a de ter havido discreta movimentação em marcos de referência topográfica. Segundo Kochen, essa seria a explicação mais aplicável. ''''Falar que houve erro no projeto é irreal, pois todos os procedimentos são computadorizados. Acredito que um caminhão pode ter movimentado os marcos e isso deu uma diferença mínima no ângulo da escavação.'''' O Consórcio Via Amarela é formado pela Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez e deve receber do governo do Estado cerca deR$ 2 bilhões pela obra, cuja primeira fase deve ser concluída até o início de 2010.

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