Metrô critica relatório sobre riscos na Estação Pinheiros

A divulgação de um documento mostrando problemas na construção da Estação Pinheiros, que teriam levado ao seu desabamento no dia 12 de janeiro, foi considerado parcial pela Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô). De acordo com a direção da Companhia, o que vai valer mesmo será o laudo a ser emitido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Em nota oficial, o Metrô esclarece que "nem o Sindicato dos Metroviários e nem a CIPA, Comissão Interna de Prevenção de Acidentes são órgãos competentes para emitir opiniões técnicas sobre métodos construtivos. Essas afirmações são subjetivas e de suas exclusivas responsabilidades".Diz ainda a nota oficial do Metrô: " A Companhia do Metrô, órgão da Secretaria dos Transportes Metropolitanos do Governo do Estado de São Paulo, contratou o IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas - para apurar, com a realização de um laudo completo, as causas do acidente ocorrido no último dia 12 nas obras da futura estação Pinheiros da Linha 4-amarela".RelatórioSegundo o engenheiro Cyro Mourão Filho, que mostrou às autoridades o documento apresentado 12 dias após o acidente, o que houve foi "uma sucessão, eu diria, uma sucessão de falhas de procedimento", disse ele ao Jornal Nacional, da Rede Globo, que teve acesso ao documento.O relatório aponta que na véspera do deslizamento, na quinta-feira, dia 11, os engenheiros do Metrô foram informados por um engenheiro do Consórcio Via Amarela que as paredes do túnel estavam envergando, pressionadas pelo terreno. Decidiram então que o túnel seria reforçado com tirantes, pinos de aço de cerca de três metros de comprimento. A instalação dos pinos teve início no mesmo dia.Quando a decisão de reforçar o túnel foi tomada, ainda não se sabia qual a causa da movimentação do terreno, o que ainda não se sabe. Mas a obra não parou. Enquanto uma equipe fortalecia o túnel, outra frente de trabalho continuava abrindo caminho na rocha com dinamite. Às 11 horas de sexta-feira, dia do acidente, que acabaria com sete mortes, os fiscais do Metrô souberam de uma detonação de explosivos, feita horas antes, a poucos metros de onde o túnel apresentava problemas. Ao Jornal Nacional, o presidente do Instituto Brasileiro do Concreto, Paulo Helene, disse ser "evidente" que as explosões causaram vibrações na estrutura, "um efeito dinâmico e isso pode ser um fator agravante. Isso é um fator agravante do colapso", afirmou.Ainda na sexta-feira pela manhã, os fiscais constataram que a furação não estava pronta e os pinos de aço não tinham sido colocados. Poucos mais de três horas depois, o túnel ruiu. Momentos antes do desmoronamento, placas de concreto se desprenderam do teto do túnel e, em seqüência, houve a ruptura do concreto que levaria o poço abaixo. O relatório informa, no entanto, que na sexta-feira nenhuma anomalia chamou a atenção dos fiscais do Metrô. Não havia fissuras nas paredes, nem outros sinais de risco. Contudo, um operário do consórcio, ouvido no dia do desabamento, disse que na noite anterior recebeu ordem para maquiar rachaduras no túnel. "O túnel estava trincado e foi pedido para ter uma cobertura no túnel, na rachadura, para que a fiscalização não veja", contou o operário.

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