Metrô nega suspensão de obras e exige transparência

O presidente do Metrô, Luiz Carlos David, informou nesta quarta-feira, 14, à Agência Estado que as obras da futura Estação Fradique Coutinho do Metrô não devem ser suspensas. "As obras continuam, não há suspensão das atividades. O que vai haver é uma coletiva de imprensa do Consórcio Via Amarela, ainda hoje, para explicar o que está acontecendo e como se dará o andamento das obras daqui pra frente", afirmou. O laudo divulgado na terça-feira gerou especulações de que as obras no bairro de Pinheiros poderiam parar e que até o Senado poderia interferir fazendo com que as obras da Linha 4 não fossem concluídas. Para o presidente do Metrô, o consórcio deve repassar, à imprensa e à população, documentos que comprovem a segurança das obras. E espera que façam esta divulgação ainda nesta quarta-feira. "Exigimos que o Consórcio Via Amarela dê explicações sobre o que será feito, diante do que foi apontado no laudo divulgado, e mostrem laudos e documentos sobre a Estação Fradique Coutinho", ressaltou. Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do Consórcio Via Amarela não confirmou que seria feita uma coletiva ainda nesta quarta-feira, como o presidente do Metrô afirmou que aconteceria. O consórcio é integrado pelas empreiteiras Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez. Laudo Segundo David, o laudo elaborado pela Tecnoplani Inspeções, divulgado pelo Jornal Nacional na terça-feira, não era do conhecimento do Metrô, nem da Secretaria de Transportes Metropolitanos. "Esse laudo não era de nosso conhecimento, e assim que tivemos acesso a ele nos dirigimos à estação. E verificamos, por meio de monitoramento, percorrendo a obra, que a estrutura em si não apresenta risco, está estável. A percepção da falha não conduzem ao raciocínio de paralisação da obra", declarou. Apesar de assegurar que, até o momento, não há razão para suspensão das obras, David informou que, como o laudo apresentou falhas nas soldas, o consórcio deverá refazer a soldagem. Segundo ele, será exigido do Consórcio o cronograma para que saiba quando e em quanto tempo o trabalho será feito. "Isso terá que ser feito com a maior transparência", acentuou. O laudo apontou problemas na estrutura metálica que sustenta as paredes da futura Estação Fradique Coutinho. Entre as falhas diagnosticadas está o uso de "bacalhau" (preenchimento de espaço entre as vigas com pedaços de metal e solda). O presidente do Metrô frisou, ainda, que a fiscalização das obras tem sido realizada permanentemente. "A fiscalização é constante, temos um engenheiro permanentemente nas obras", afirmou. Cratera do Metrô Diante do recente acidente nas obras da futura Estação Pinheiros do Metrô, também da Linha 4-Amarela, ocorrido em 12 de janeiro, que deixou sete pessoas mortas, o presidente do Metrô admite que as cobranças ao consórcio se tornam obrigatoriamente maiores. "Ainda estamos traumatizados com o que ocorreu na Estação Pinheiros e exigimos que o consórcio faça uma divulgação ampla do que será feito", disse. Com relação à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), cujo pedido foi protocolado na terça-feira pelo PT na Assembléia Legislativa de São Paulo, com objetivo de investigar as causas do acidente nas obras da Estação Pinheiros, o presidente do Metrô recuou. "Não vou entrar no mérito da CPI. O que tenho a dizer é que os primeiros a quererem saber as causas deste acidente, além da população, é o próprio Metrô", sustentou. E emendou: "De imediato contratamos o renomado Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), a pedido do Serra (governador paulista) e do (José Luiz) Portella, secretário estadual de Transportes Metropolitanos, para que apurassem as causas deste acidente. Qualquer afirmação sobre isso agora é leviana." Segundo David, não falta fiscalização para o acompanhamento deste laudo. "O Instituto de Criminalística está acompanhando, procuradores do Ministério Público e a Procuradoria do Estado. O Metrô encaminhou todos os documentos solicitados pelos procuradores. O que não está faltando é fiscalização para descobrir as causas deste acidente", relatou.

Agencia Estado,

14 Fevereiro 2007 | 11h05

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