Metrô vai abrir comissão interna de sindicância

Companhia vai agora apurar as responsabilidades pela tragédia, promete um dos diretores

Daniel Gonzales, O Estadao de S.Paulo

07 de junho de 2008 | 00h00

A primeira providência da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), depois de receber o laudo de 29 volumes sobre a tragédia na futura Estação Pinheiros será a formação de uma comissão interna de sindicância, que deve apontar rapidamente os culpados pelo desabamento, com base nas informações levantadas pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). "O relatório é conclusivo e aponta uma seqüência de eventos como a causa do acidente. A comissão do Metrô agora vai apurar as responsabilidades", adiantou o diretor de Assuntos Corporativos da empresa, Sérgio Avelleda.Cuidadoso, Avelleda evitou apontar quem ou quais empresas estarão entre os responsáveis pela cratera, que deixou sete mortes. Entre eles, admitiu, pode haver até mesmo funcionários do próprio Metrô ou do Consórcio Via Amarela, responsável pela construção da Linha 4. Segundo ele, o Metrô disponibilizaria ainda ontem, em seu site (www.metro.sp.gov.br), um vídeo produzido pelo IPT, que foi anexado ao laudo e mostra uma síntese do acidente por meio de computação gráfica.O diretor garantiu que a comissão será "rápida", mas evitou falar em prazos. "O relatório é grande e extremamente complexo", diz. Avelleda também não quis comentar sobre as possíveis punições aos responsáveis - multas, rescisão de contratos, etc. "O que posso dizer é que agiremos com rapidez e rigor", prometeu.Por se tratar de assunto de complexidade técnica, o Consócio Via Amarela informou, por meio de nota oficial, que fará uma análise detalhada do relatório do IPT, antes de se manifestar. "É necessário ressaltar, porém, que as pesquisas geológicas que subsidiaram o projeto da Linha 4 foram feitas à época pelo próprio IPT, contratado pelo Metrô." O Consórcio ainda reafirma que continuará a colaborar com as investigações e informa que emitirá oportunamente, no curso das investigações, um relatório próprio.O Via Amarela já havia divulgado um laudo que contratou de um especialista independente, em 27 de março. Assinado por Nick Barton, considerado o maior especialista do mundo em túneis, o documento apontava o deslocamento de uma rocha de 15 mil toneladas, que não foi detectada nem por 11 sondagens feitas pelo Consórcio Via Amarela, como causa do maior acidente da história do Metrô de São Paulo.Segundo Barton, uma rocha de 14 metros de altura, no formato de uma cunha invertida, encontrava-se 7 metros abaixo do nível da Rua Capri, em Pinheiros. Sua parte maior estava apoiada no arco da abóbada do túnel, envolvida em argila. Uma infiltração nesse maciço teria causado a tragédia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.