Metroviários ameaçam entrar em greve

O presidente do Sindicato dos Metroviários do Estado de São Paulo, Onofre Gonçalves de Jesus, voltou a prometer nesta sexta-feira que a categoria vai cruzar os braços por prazo indeterminado e liberar as catracas do Metrô no dia 29, uma terça-feira, caso não tenha suas reivindicações atendidas pelo governo do Estado.O discurso de Onofre foi feito durante manifestação de várias classes sindicais na Avenida Paulista. Segundo a Polícia Militar, 5 mil pessoas participaram do protesto, que era acompanhado de perto por 510 policiais militares da Tropa de Choque, policiamento do 7º Batalhão e Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (Rota), com apoio das motocicletas (Rocam). "Vamos fazer um ato para mostrar para esse governo que ele tem de atender os trabalhadores. Vamos fazer greve por tempo indeterminado e fazer catraca livre", disse Onofre. A decisão de cruzar os braços foi tomada nesta quinta-feira, durante a assembléia dos metroviários, que contou com a presença de 700 representantes.De acordo com Onofre, a categoria exige reajuste salarial de 7,86%, 7,14% referentes a perdas salariais no período entre 2000 e 2001 e aumento real de 4% por produtividade. Além disso, eles exigem a ampliação do plano de saúde e a complementação da cesta básica. A Companhia do Metropolitano (Metrô) ofereceu, após cinco rodadas de negociações, 5,5% de reajuste e anunciou que reduzirá o adicional noturno da categoria, modificando o cálculo que hoje é de 50% sobre o salário-base, para 20% sobre as horas paradas.De acordo com o sindicato, a alteração significaria perda de até 16% nos vencimentos dos trabalhadores do Metrô. "Isso não é acordo que se faça", criticou Onofre. Camisetas - A partir de segunda-feira, os funcionários do Metrô vão trabalhar com camisetas feitas pelo sindicato, convocando todos para a greve. Na blusa estão estampadas as reivindicações da categoria.Na quarta-feira, os metroviários prometem fazer manifestação na frente do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado.O protesto será acompanhado por integrantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), à qual o Sindicato dos Metroviários é filiado. "Esperamos que uma comissão seja recebida pelo governo para que as negociações sejam reabertas", disse Onofre. "Na quinta-feira, dependendo da conversa com o governo, já começaremos a nos organizar (para a greve) e vamos tomar a decisão final." Se for decretada a paralisação no Metrô, o sindicato distribuirá 100 mil jornais para a população, explicando os motivos da greve. O objetivo é conseguir o apoio total dos paulistanos.

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