Metroviários ameaçam entrar em greve nesta terça

Contrário à Parceria Público Privada (PPP) que vai operar a Linha 4 do Metrô, em concessão por 30 anos, o Sindicato dos Metroviários de São Paulo vai decidir em assembléia na noite desta segunda-feira, 14, se entra ou não em greve na terça-feira. O sindicato confirma que a greve é praticamente inevitável. A categoria irá se reunir em assembléia a partir das 18 horas para discutir a possibilidade de greve. "Estamos no aguardo de alguma surpresa que venha do Tribunal de Justiça. Se tiver alguma novidade, a gente também pode avaliar", declarou o presidente da entidade, Flávio Godoy, em entrevista à Rádio Eldorado AM. De acordo com Godoy, a Companhia não cumpriu os prazos legais na licitação da linha 4 do Metrô. A Companhia publicou no último dia 8 um edital de convocação para as empresas interessadas na negociação. A notificação de última hora contraria as regras de licitação pública e o direito legal dos metroviários que questionam a privatização na Justiça. O presidente do sindicato da categoria afirmou que a greve é o último recurso que os funcionários da Companhia tem para mobilizar a sociedade contra o negócio. Ele explicou que a direção do Metrô não escutou as inúmeras reivindicações e até propagandas feitas para população.Para a categoria, a PPP é vista como início da privatização do setor e do sucateamento do sistema. Os metroviários chegaram a pedir à Justiça que suspendesse a licitação. A ação foi derrubada pelo Metrô, que abriu em 9 de agosto os envelopes com as propostas. Mas a Justiça ainda analisa o mérito do recurso. ConsórcioPela PPP, o consórcio MetroQuatro terá de comprar 29 trens - 14 na primeira fase, até 2008, e 15 na segunda etapa, a partir de 2012 -, será responsável pelos sistemas de controle, operação da linha e manutenção. A obra civil e construção da infra-estrutura são feitas pelo governo. "É como nos corredores de ônibus. A Prefeitura se encarrega da estrutura, tarifa e obras, e a iniciativa privada opera o sistema", comparou o presidente do Metrô, Luiz Carlos David. O grupo é formado pela Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), que detém 68% do consórcio vencedor; Montgomery Participações, que inclui o banco português Banif, com 30%; a operadora do metrô parisiense RATP, com 1%, e a argentina Benito Roggio, concessionária do metrô de Buenos Aires, com 1%. Segundo o vice-presidente da CCR, Marcio Batista, foi exigência do Metrô a presença de empresas do setor, para agregar experiência ao funcionamento da Linha. Na comparação com as rodovias, Batista disse que provavelmente o passageiro vai levar mais tempo para notar diferença nos serviços. "O nível de exigência do Metrô é extremamente elevado. Mas o padrão dos trens dessa linha é bastante acima dos parâmetros atuais, terão mais conforto e segurança", explicou o executivo. O Metrô espera para o fim deste mês a chegada do Tatuzão, equipamento que tem capacidade para perfurar o subsolo a 30 metros de profundidade. A máquina será utilizada nas obras da Linha 4 do Metropolitano.

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