Metroviários de São Paulo ameaçam entrar em greve

Um dia após o anúncio do consórcio que provavelmente vai operar a Linha 4 do Metrô em Parceria Público Privada (PPP), o Sindicato dos Metroviários ameaça entrar em greve de 24 horas e parar o sistema na terça-feira, 15. Contrários à PPP, que vêem como início da privatização do setor e do sucateamento do sistema, os metroviários chegaram a pedir à Justiça que suspendesse a licitação. A ação foi derrubada pelo Metrô, que abriu na quarta-feira, 9, os envelopes com as propostas.Pela PPP, o consórcio MetroQuatro terá de comprar 29 trens - 14 na primeira fase, até 2008, e 15 na segunda, a partir de 2012 -, será responsável pelos sistemas de controle, operação da linha e manutenção. A obra civil e construção da infra-estrutura é feita pelo governo. "É como nos corredores de ônibus. A Prefeitura se encarrega da estrutura, tarifa e obras e a iniciativa privada opera o sistema", comparou o presidente do Metrô, Luiz Carlos David.O grupo é formado pela Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR), que detém 68% do consórcio vencedor; Montgomery Participações, que inclui o banco português Banif, com 30%; a operadora do metrô parisiense RATP, com 1%; e a argentina Benito Roggio, concessionária do metrô de Buenos Aires, com 1%. Segundo o vice-presidente da CCR, Marcio Batista, foi exigência do Metrô a presença de empresas do setor, para agregar experiência ao funcionamento da linha.A CCR, formado pelas construtoras Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Serveng-Civilsan, tem experiência em rodovias sob concessão, como a NovaDutra, AutoBan e Viaoeste. Na comparação com as rodovias, Batista disse que provavelmente o passageiro vai levar mais tempo para notar diferença nos serviços. "O nível de exigência do Metrô é extremamente elevado. Mas o padrão dos trens dessa linha é bastante acima dos atuais, terão mais conforto e segurança", explicou.Por se tratar de empresa de capital aberto, a CCR não informa a estimativa de faturamento com a parceria. Segundo Batista, a receita virá da bilheteria e da possibilidade de rendas acessórias, como praça de alimentação, publicidade ou aluguel de espaço para lojas nas estações. "A iniciativa privada espera um retorno de mercado. Aí, entra a questão de gestão."O Metrô espera para o fim do mês a chegada do Tatuzão, equipamento que tem capacidade para perfurar o subsolo a 30 metros de profundidade. A máquina será usada nas obras da Linha 4.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.