José Lucena/Futura Press
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'Meu filho foi assassinado com requintes de crueldade', diz mãe de dançarino

Maria de Fátima da Silva, de 56 anos, tenta convencer mulher que teria assistido momento da morte a prestar depoimento

Thaise Constancio, O Estado de S. Paulo

24 de abril de 2014 | 11h41

RIO - A mãe do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, de 26 anos, Maria de Fátima da Silva, de 56, afirmou que uma moradora do morro Pavão-Pavãozinho assistiu o momento da morte de DG. Maria de Fátima tenta convencer a mulher a prestar depoimento na 13ª Delegacia de Polícia (Ipanema).

"Ela assistiu a toda a tortura, me falou como foi (a morte). Ele levou o tiro e terminou de ser morto na creche. Meu filho foi assassinado com requintes de crueldade", disse.

Moradores contaram que o dançarino, que não mora no morro, decidiu ir embora de uma festa após ouvir tiros. A favela estava sem luz. Amigos teriam pedido que Douglas seguisse um caminho alternativo e ele teria respondido que seguiria pela via principal porque "era um trabalhador e tinha o direito de ir e vir". No caminho Douglas foi atingido por uma bala nas costas que atravessou o pulmão e saiu pelo ombro direito.

O corpo foi encontrado na manhã de terça-feira, 22, em uma creche no alto do morro. Durante a madrugada houve tiroteio entre traficantes e policiais, mas ainda não é possível estabelecer relação entre a troca de tiros e o assassinato de Douglas.

De acordo com relatos de moradores para Maria de Fátima, policiais civis e militares foram até a creche na manhã de terça porque "pretendiam sumir com o corpo do meu filho". Os moradores desconfiaram da movimentação na creche durante o feriado prolongado e foram ao local.

Ao perceberem que o corpo era de Douglas, começaram a protestar para que ele não fosse retirado do local. "Se passaram muitas horas desde que ele morreu. O local foi mexido. O corpo do meu filho estava molhado e não tinha chovido naquele dia. Eu não sou leiga".

Maria de Fátima afirmou que haverá duas manifestações pacíficas contra a morte de Douglas: uma de mulheres vestidas de branco e outra de mototaxistas que trabalharam com DG no Pavão-Pavãozinho e no morro Dona Marta.

 

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