''Meu filho se queixa muito''

Para mãe, diferença de alimentos terceirizados é ?clara?

Vitor Hugo Brandalise, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

06 Fevereiro 2009 | 00h00

Entre moradores do bairro Parque Santa Amélia, no Itaim Paulista, zona leste da capital, a palavra "terceirização" tem um significado só - quer dizer que a qualidade da merenda piorou. O problema, para pais de alunos, não é que o alimento é servido "estragado". Dizem apenas que tem um cheiro estranho, que parece "passado"."De dois anos para cá, quando a merenda começou a ser preparada por empresas de fora, apareceram as primeiras reclamações", diz a presidente da associação de moradores local, Alba de Barros. "Virou problema geral."Duas das escolas cuja merenda apresenta problemas, segundo o Conselho de Alimentação Escolar, ficam no Parque Santa Amélia. Na Dr. Hélio Tavares, havia quantidades excessivas de gordura e a textura da carne era inadequada. No Centro de Educação Infantil Parque Santa Amélia, foram encontrados alimentos com data de validade vencida - até mesmo em decomposição.Para a dona de casa Leila Neves, de 26 anos, a diferença, "antes e depois da merenda terceirizada", é "clara". Com um filho em cada escola - Jonathan, de 8 anos, cursa a 2ª série na Dr. Hélio Tavares, e Alice, de 1 ano e meio, passa o dia na Parque Santa Amélia -, ela foi uma das que reclamaram à associação. "O Jonathan se queixa muito e já sofreu intoxicação. Ele diz que foi depois de ter almoçado na escola", conta. "E que dizer da filhinha, que não pode reclamar?"Segundo funcionários das escolas ouvidos pelo Estado, os alimentos passam por inspeção antes de serem servidos. "Se há problemas na cozinha, isso não chega aos alunos", disse um deles. "Não deixaríamos que chegassem."

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